Uma “apropriação” do Sistema Terrestre ou uma “representação”?

Sustentabilidade Uma “apropriação” do Sistema Terrestre ou uma “representação”? Como saber? Entenda mais sobre o assunto aqui.
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Da mesma forma que os ”Limites Planetários” não são os limites do próprio planeta, mas sim os nossos "limites de segurança”, também o reconhecimento do sistema terrestre como património mundial, não pode ser considerado uma apropriação de "dominium” do sistema, até porque ele é em si mesmo inapropriável.

Mais do que uma forma de apropriação do sistema, a abordagem  patrimonial constitui uma representação que permite uma inteligibilidade do sistema no seio da organização das nossas sociedades.

E a forma de produzir esta representação é realizada através da definição dos limites que condicionam o seu estado, cuja ultrapassagem pode determinar uma alteração ambiental abrupta, como uma  ruptura.

A questão que se coloca, é que a errada representação jurídica do Sistema Terrestre tem como consequência a invisibilidade do sistema terrestre nas nossas economias, e daí que os benefícios ou encargos que são realizados sobre o Sistema Terrestre sejam considerados como "externalidades”.

O primeiro passo na construção das condições estruturais necessárias para uma ação colectiva global será mesmo a definição do bem comum de que estamos a falar.

A enumeração dos indicadores-chave que nos permitem identificar, delimitar e mensurar o estado favorável que se pretende preservar e, seguidamente, reconhecer-lhe uma existência jurídica.

Sobre este património comum, será possível desenhar um sistema de gestão justo e equitativo tendo por base os diferentes contributos individuais e coletivos para a manutenção deste património.