Tóxicos ambientais: só um bocadinho não faz mal... será?

Bem Estar Conheça alguns tóxicos ambientais que nós consumimos sem saber. Mesmo só um pouco dele pode fazer mal? Venha descobrir.
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Anualmente são lançadas centenas de toneladas de compostos químicos para o ambiente e são criadas milhares de novas moléculas.

Medicamentos, agrotóxicos, fragrâncias, hidratantes, diluentes, emulsionantes, antiespumantes são apenas alguns exemplos.

Todos estes produtos são testados quanto à sua toxicidade, sendo  definida uma dose máxima de segurança.

Dada a quantidade de novas moléculas criadas por ano, as investigações quanto à sua toxicidade são normalmente efetuadas pela própria empresa que vai comercializar um determinado produto.

Nós como consumidores esperamos que tenham a honestidade de revelar todos os resultados encontrados nessas investigações, o que, como por vezes se vem a revelar que nem sempre acontece.

Mas felizmente a grande maioria dos investigadores das empresas são honestos quanto aos resultados encontrados.

Quando nos testes efetuados, o químico a ser usado não revela quaisquer efeitos secundários quando utilizado numa determinada quantidade, esse produto é lançado.

Junta-se então aos outros milhares de compostos que anualmente são libertados para consumo humano e animal.

Todos nós vamos usando e absorvendo todas estas moléculas durante anos, com a segurança de que todas foram testadas, e que todas estão aptas para consumo, e que as estamos a ingerir dentro das doses consideradas seguras.

Toxicologia clássica e Toxicogenómica 

A toxicologia clássica analisa a quantidade de um produto necessária para induzir toxicidade, definida por alterações celulares ou de funcionamento de uma célula ou organismo.

As substâncias em estudo são introduzidas em animais, ou em culturas de células, e vão-se administrando doses cada vez mais altas da molécula em estudo até se observarem alterações.

Determina-se assim qual a quantidade necessária para que uma determinada molécula seja considerada tóxica, assumindo-se que quando essa molécula é usada em quantidades bem mais baixas, seja segura para consumo.

Com a sequenciação do genoma humano surgiram novas formas de analisar o efeito de diferentes moléculas no nosso organismo, e surge uma nova área chamada toxicogenómica.

Esta nova área de investigação científica, ao contrário da toxicologia clássica não vai administrar um químico e ficar à espera que apareçam alterações orgânicas.

A toxicogenómica tem a capacidade de analisar o efeito que uma determinado químico vai ter na forma como expressamos os nossos genes, nomeadamente se ativa ou silencia a expressão genética, sendo capaz de detetar possíveis efeitos tóxicos, muito antes  das alterações orgânicas visualizadas pela toxicologia clássica.

Silenciamento ou ativação da expressão genética

As nossa células estão constantemente a adaptar-se ao ambiente que as rodeia, e para isso, usam as informações contidas na sua informação genética.

Relativamente à capacidade de desintoxicação, sabe-se que diferentes estímulos influenciam a expressão genética – alguns aumentam  a produção de uma determinada enzima enquanto outros a diminuem.

Ou seja, tal como nós, que retiramos do armário uma camisola mais grossa nos dias mais frios, ou uma camisola mais fresca nos dias mais quentes, as nossas células podem aumentar ou cancelar a produção de uma enzima de acordo com as suas necessidades do momento.

Os nossos mecanismos de desintoxicação e de expressão genética foram sendo aperfeiçoados ao longo de milhares de anos, para sermos capazes de melhor lidar com diferentes estímulos: alimentos, bactérias, vírus, etc.

Diferentes compostos tóxicos têm vindo a revelar a capacidade de interferirem com a nossa expressão genética, e alguns são mesmo capazes de desorganizar este sistema, aperfeiçoado durante milhares de anos. 

Isto significa que, apesar de um determinado indivíduo ter sido "geneticamente abençoado” e possuir enzimas de desintoxicação muito eficazes, pode acontecer que naquele momento, tenha ingerido um tóxico que  impede a expressão genética da sua "super” enzima.

Caso acabe por ingerir o tóxico que precisava dessa mesma enzima, pode estar em sarilhos – sem dúvida um verdadeira roleta russa.

Com as investigações científicas o que se tem vindo a descobrir é que, se um determinado composto com uma pequena toxicidade for absorvido ao mesmo tempo de outro, que pode ter também apenas uma pequena toxicidade – o resultado pode ser um aumento exponencial de toxicidade.

Isto significa que em vez de duas moléculas consideradas relativamente seguras, passamos a ter uma mistura bastante insegura.

Muitas combinações "tóxicas” já são conhecidas, mas  dada a quantidade de químicos que diariamente absorve, e dada as milhões de combinações possíveis.

Como é  que sabe se os químicos do seu shampoo, juntamente com os químicos do seu creme hidratante, mais os do perfume que cheirou, e juntando os agrotóxicos dos alimentos que comeu constituem uma combinação segura?

Na verdade, ninguém sabe.

E com os milhares de novos compostos lançados anualmente para o ambiente, o nosso conselho vai para evitar o mais possível todos os tóxicos ambientais e todas as moléculas químicas possíveis.

Os medicamentos adequados, na quantidade apropriada podem ser fundamentais, mas os  químicos dos diferentes perfumes, cremes, entre outros, são perfeitamente dispensáveis.