Solo vivo é solo fértil e as minhocas ajudam

Sustentabilidade O solo é um enorme mundo vivo, cheio de espécies que nós nem fazemos ideia. Saiba qual é a importância dessas espécies para o solo.
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O solo é um mundo vivo que ainda está em grande parte por descobrir. 90% dos microrganismos que vivem no solo são ainda desconhecidos.

Escapam a uma análise precisa pois estão estreitamente ligados a outros habitantes do solo (plantas, animais e fungos). Mas são absolutamente indispensáveis.

As bactérias que são as mais numerosas, cobrem cada milímetro das raízes e colonizam o intestino das minhocas.

O seu número desafia a imaginação, pois cada grama de terra pode conter 100 milhões de bactérias, de 4 a 7 mil espécies diferentes!

Num campo de trigo da Estação experimental inglesa de Rothamsted, a biomassa de organismos do solo foi calculada em 5 toneladas por hectare - o equivalente a um rebanho de 100 ovelhas.

A camada superficial até 30 cm de profundidade é onde se concentra a maior quantidade de seres vivos, estimado em cerca de 80% do total do planeta, dada a maior quantidade de resíduos das culturas e maiores teores de exsudados radiculares, ricos em açúcares, aminoácidos e vitaminas.

Os organismos do solo incluem os microrganismos (fungos, bactérias, etc.), a microfauna e a microflora (nemátodos, protozoários, algas, etc.,), mesofauna (alguns nemátodos, ácaros, etc.) e macrofauna (minhocas, centípedes, milípedes, etc.).

classificados conforme o grupo taxonómico e o tamanho, embora as definições e limites de tamanho possam variar com os autores.

A macrofauna e a mesofauna têm um papel fundamental na fragmentação do material vegetal em decomposição e na regulação indireta dos processos biológicos do solo, com interações a diferentes níveis com os microrganismos.

Estes organismos influenciam as condições do solo pela formação de poros e agregados e contribuem para a distribuição e taxa de decomposição da matéria orgânica.

De entre a macrofauna são as minhocas que têm o papel mais importante na fertilidade do solo, principalmente pelas seguintes razões:

  • Decompõem os resíduos orgânicos (vegetais e animais) em partículas mais finas, facilitando a decomposição microbiana, distribuem-nos pelo terreno à superfície e em profundidade e dão origem a húmus e nutrientes solúveis;
  • Melhoram a estrutura, a porosidade, a drenagem e facilitam o crescimento das raízes em profundidade através das galerias que abrem;
  • Aumentam o teor de minerais assimiláveis que nos seus excrementos são muito superiores aos do solo;
  • Estimulam a atividade microbiana (bactérias, algas e fungos) pela transformação dos resíduos orgânicos e melhor arejamento do solo;
  • Interagem com os restantes organismos do solo aumentando a produtividade das culturas.

As minhocas pertencem à classe Oligochaeta, classe que tem diversas famílias, das quais a mais importante para a agricultura é a Lumbricidae, sendo também a mais abundante na região Paleártica, incluindo a Europa.

Existem cerca de 220 espécies de minhocas conhecidas, das quais 19 são comuns na Europa, cuja distribuição pelo mundo se deve, em grande parte, à ação do homem.

O número e o peso das minhocas em diferentes habitats apresentam um número de indivíduos (nº/m2) variável entre 5 (terra cultivada, na Roménia) e 1235 (pastagem natural, na Nova Zelândia) e a biomassa (g/m2) entre 0,5 e 303.

As pastagens permanentes e as florestas temperadas de folhosas mistas têm as maiores populações de minhocas.

Já as terras cultivadas apresentam em geral menores populações, variáveis com as práticas agrícolas seguidas. Solos mais ricos em matéria orgânica têm em geral mais minhocas, sendo a prática da cobertura do solo com resíduos vegetais (mulching) muito favorável.

Em diversos estudos realizados em Inglaterra sobre a distribuição das minhocas em profundidade, a espécie mais profunda foi a Lumbricus terrestris, normalmente até 1 metro e excecionalmente encontrada a 2,5m de profundidade.

A capacidade de ingestão das minhocas é muito grande. Só a L. terrestres, em boas condições de crescimento e reprodução, pode consumir a totalidade das folhas que caem por ano (300g/m2) numa floresta mista temperada, em apenas 3 meses.

Para proteger e favorecer as minhocas, para além de evitar os pesticidas químicos de síntese, devem aplicar-se as seguintes práticas culturais:

  • Aplicação regular de fertilizantes orgânicos, e com baixos teores de metais pesados;
  • Correção da acidez (pH menor que 5) e a alcalinidade (pH maior que 8,5);
  • Manutenção de boa drenagem e humidade no solo;
  • Mobilização superficial e com alfaias de dentes, evitando a fresa, principalmente em solo húmido;
  • Evitar a aplicação excessiva de cobre, não ultrapassando o limite máximo autorizado em agricultura biológica (6 Kg/ha de cobre metal, o equivalente a 24 Kg de sulfato de cobre, ou a 30 Kg de calda bordalesa comercial).