Aprender sempre! Daniela Seabra

Seremos todos capazes de desintoxicar da mesma forma?

Todos nós já ouvimos falar de inúmeros compostos que são considerados cancerígenos ou que provocam outras doenças, nomeadamente degenerativas. Mas a nossa experiência pessoal diz-nos que algumas pessoas que sempre tiveram inúmeros cuidados têm o diagnóstico e outras que sempre cometeram toda uma série de erros têm aparentemente uma saúde de ferro. Estarão os cientistas enganados e a exagerar nos efeitos desses mesmos compostos, ou nós é que somos geneticamente diferentes?

Hoje vamos compreender melhor a importância da suscetibilidade genética e da manifestação de doença.


Importância do estado nutricional

O processo de desintoxicação requer diferentes nutrientes.
Alguns destes nutrientes funcionam como cofactores das enzimas de desintoxicação, algo como pequenas chaves de ignição sem as quais as enzimas não funcionam corretamente, ou simplesmente não funcionam. Outros nutrientes são necessários para se ligarem com os compostos tóxicos e permitir que sejam eliminados pelo organismo, tal como um segurança agarra num infrator para o retirar de um determinado sítio.

É fácil entender que se não tivermos os nutrientes necessários para funcionarem como pequenas chaves de ignição (os cofactores), e se não possuirmos a quantidade adequada de seguranças para acompanharem o infrator para fora do organismo, a nossa capacidade de desintoxicação está comprometida. Os diferentes compostos tóxicos terão assim muito mais possibilidade de causar danos na nossa saúde.

Desta forma, é extremamente importante ter uma alimentação equilibrada, rica em hortícolas e frutas, repletas de inúmeras vitaminas, minerais e fitoquímicos, e que forneça todos os outros nutrientes adequados ao bom funcionamento do organismo. De preferência sem agrotóxicos, caso contrário está a otimizar a sua capacidade de desintoxicação, mas ao mesmo tempo está a exigir que o seu organismo seja capaz de eliminar ainda mais esses tóxicos.



Individualidade genética

Nós somos todos diferentes. Os nossos olhos, os nossos narizes, as nossas impressões digitais, e obviamente, as nossas enzimas também são diferentes.

Alguns de nós têm enzimas muito eficientes, que rapidamente agarram no composto que têm que transformar e nos cofactores que necessitam para o fazer, e, num instante, apresentam o trabalho feito.

Mas outros de nós não. Algumas das nossas enzimas são mais preguiçosas, outras precisam de mais quantidades de um cofactor para conseguirem fazer o mesmo que a enzima mais eficiente de outra pessoa faz com muito menos quantidade desse mesmo cofactor.

Imagine o pedal do travão de um carro: todos os carros o têm, mas em alguns precisa de realmente carregar no pedal para o carro travar, enquanto noutros, basta um pequeno toque. Com este exemplo é fácil de entender que, se no carro que precisa de travar com mais força fizer apenas uma pequena pressão, pode estar em sarilhos – e aqui também.

Se não tiver a quantidade de cofactores adequados para permitir que uma enzima funcione, ou se a sua herança genética o brindou com uma enzima mais preguiçosa, a sua função vai ficar diminuída, e desta forma incapaz de eliminar eficazmente o composto tóxico que acabou de absorver. Dependendo da enzima em causa, as consequências são diversas.

Há ainda alguns de nós que simplesmente não têm algumas enzimas. Se estamos a falar de enzimas de desintoxicação, os que não tiverem uma determinada enzima não vão ser capazes de eliminar um determinado composto tóxico – isto significa que caso o absorvam vão ter um risco acrescido deste gerar danos.

As pessoas que estão geneticamente dotadas das enzimas de desintoxicação mais capazes, mais eficazes e que funcionam com uma menor quantidade de cofactores, são também as mais capazes de viver num mundo repleto de toxicidade. A sua maquinaria genética faz com que sejam capazes de cometer inúmeros erros, e poderem nunca vir a sofrer algumas das consequências associadas a esses erros. Como aquela pessoa que conhece que sempre fumou e bebeu álcool e não teve consequências prejudiciais na sua saúde.

Para todos os outros que herdarem algumas das enzimas mais preguiçosas, o risco aumenta e a suscetibilidade para cancro, autismo, doenças neurológicas degenerativas aumenta também.

O que fazer?

- Atualmente já é possível determinar a sua capacidade de desintoxicação, através de exames específicos, nomeadamente testes genéticos feitos a partir da recolha de saliva. Mas infelizmente estes testes têm um custo elevado.

- Não havendo teste para mostrar como é a sua genética, o melhor conselho é jogar pelo seguro, considerando que tem "enzimas mais fracas”, e evitar o mais possível os diferentes compostos químicos associados a diferentes patologias, ter uma alimentação saudável e equilibrada, e extremamente rica em hortícolas e algumas frutas – de preferência biológicas.

EsmeraldAzul – para uma vida saudável, consciente e sustentável.

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