Quintal bio Jorge Ferreira

Qualidade nutricional e sanitária dos alimentos de agricultura biológica – o caso do morango

O setor da produção agroalimentar inclui pelo menos três tipos de utilizadores, com diferentes preocupações relacionadas com a qualidade:

-    o agricultor, que está particularmente atento à qualidade agronómica (potencial de produção, rusticidade, resistência às doenças e pragas, precocidade);
-    o agroindustrial e o distribuidor, que estão mais atentos à qualidade tecnológica do produto (produção, conservação, transformação, transporte);
-    o consumidor, que se preocupa principalmente com os seguintes aspetos da qualidade:
-    a qualidade visual e gustativa ;
-    a qualidade nutricional (vitaminas, matéria seca, antioxidantes, etc.);
-    a qualidade higiénica ou sanitária (alimentos isentos de resíduos perigosos como os pesticidas, os metais pesados, os microrganismos patogénicos e toxinas deles resultantes, ou alimentos com teores aceitáveis de resíduos de médio risco como os nitratos);
-    a qualidade ambiental (caso dos organismos geneticamente modificados);
-    a qualidade social (aspetos sociais, políticos e económicos ligados à produção, como é o caso de mercado justo e das políticas agrícolas).

Os 98 estudos comparativos publicados internacionalmente até 2006, realizados em diversos países sobre a qualidade dos alimentos "biológicos” (de agricultura biológica), em comparação com os de agricultura convencional, mostram os seguintes resultados:

a)    Quanto aos constituintes benéficos:
a.    Maior teor de minerais (cálcio, magnésio, ferro, etc.);
b.    Menor teor de proteínas;
c.    Maior qualidade das proteínas;
d.    Maior teor de vitaminas;
e.    Maior teor de antioxidantes;
f.    Maior teor de ácidos gordos essenciais.
b)    Quanto aos constituintes indesejáveis e potencialmente perigosos para a saúde:
a.    Menor teor de nitratos;
b.    Menor teor de resíduos de pesticidas;
c.    Igual teor de micróbios patogénicos;
d.    Igual teor de metais pesados.

Relativamente ao morango, a variedade Chandler cultivada no Algarve em agricultura biológica, apresentava teores mais altos de matéria seca (menos água), açúcares totais (grau brix), açúcares redutores e de acidez total. Por outro lado quanto à qualidade sanitária, apresentam um teor muito abaixo de nitratos do que a mesma variedade de produção convencional de agricultores da região na mesma época (quadro 1), bem como a ausência de resíduos de pesticidas.
Quadro 1 – Parâmetros de qualidade nutricional do morango de agricultura biológica dos ensaios do Patacão em 1992 (Bio 92) e em 1993 (Bio 93), em comparação com a produção convencional de dois agricultores da região em 1992 (Ac 1 e Ac 2) e em 1993 (Ac 3 e Ac 4)

 



 

 

 

 

 

 


Também no Algarve foi comparado o teor de vitamina C em morango "biológico” e "convencional”, ao longo de três colheitas, com teores mais elevados no biológico, de 22,5% a 26,9% (quadro 2).

Jorge Ferreira
Eng. agrónomo, consultor e formador em Agricultura Biológica
Agro-Sanus


EsmeraldAzul – para uma vida saudável, consciente e sustentável.


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