Produzir sementes tradicionais, colhendo para semear

Sustentabilidade Conheça a nova lei das sementes aprovada pela comissão europeia e veja seus benefícios para a produção de sementes no mundo.
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No passado dia 6 de maio, a Comissão Europeia aprovou a nova lei das sementes, numa versão menos gravosa para a conservação das variedades tradicionais do que a proposta que esteve em discussão pública.

Ainda assim, há alguns entraves à livre produção e utilização destas variedades quando não inscritas nos catálogos oficiais (europeu e nacionais), entraves que interessava retirar, o que ainda pode ser feito, visto que a lei ainda vai ao Parlamento europeu para aprovação definitiva.

Para ajudar à conservação destas variedades (tradicionais ou regionais), que não estão patenteadas, cada um de nós que tiver um pouco de terra (ou até um vaso na varanda), pode dar o seu contributo.

Para isso temos de produzir a semente e colhê-la para depois semear.

A produção de sementes deve ser conduzida de modo a garantir que estas dão origem a plantas bem desenvolvidas e sãs, e tenham elevada pureza varietal. Esta última é o parâmetro que mede a bondade genética da semente.

Uma semente com elevada pureza varietal é aquela que reproduz com fidelidade a estrutura genética característica da variedade a que pertence.

A manutenção dessa pureza depende em primeiro lugar do sistema de reprodução da espécie, a saber:

  • reprodução por semente, sobretudo de autopolinização e consequentemente autofecundação, com limitada variabilidade e baixo risco de cruzamento;
  • reprodução por semente, sobretudo de polinização cruzada e consequentemente fecundação cruzada, com muita variabilidade e alto risco de cruzamento ;
  • reprodução por via vegetativa (bolbos, tubérculos, enxertia, estaca), com uma mistura de clones (cada clone tem origem num indivíduo da variedade, com alguma variabilidade genética), em que cada clone é constituído por plantas geneticamente iguais.

Nos casos de reprodução por semente, os dois tipos de fecundação obrigam a diferentes distâncias de isolamento relativamente a outras variedades da mesma espécie de modo a evitar cruzamentos indesejados.