Primeiras colheitas de Verão - Aliáceas

Sustentabilidade Conheça as aliáceas, hortícolas comuns em nossas refeições, veja um pouco sobre o cultivo desses vegetais tão corriqueiros em nosso dia a dia.
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A família das Aliáceas inclui várias espécies hortícolas sendo as mais cultivadas em Portugal, a cebola, o alho e o alho-francês.

Outras espécies como a chalota e o cebolinho têm cada vez mais procura, em particular na cozinha mais elaborada e mais diversificada em sabores.

A cebola é originária da Ásia Central (Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão, Nordeste da China e Mongólia) e cultiva-se há pelo menos 5.000 anos.

Na região mediterrânica entrou por volta do ano 2.300 a.C., sendo consumida pelos egípcios, gregos e romanos, chegando ao Norte da Europa mais tarde, por volta do século VI.

Nas nossas hortas é presença obrigatória, com preferência pelas variedades regionais como a "Branca de Lisboa”, a "Saloia”, a "De Setúbal”, a "De Alcochete” ou "Alcochetana”, a "Do Sobral” ou "De Óbidos”, entre outras.

Para garantir a conservação de pelo menos uma das variedades regionais a que damos preferência, precisamos dedicar algum tempo à produção das sementes.

Para isso, guardam-se as melhores cebolas, num mínimo de 10, até ao início de Abril, época em que se plantam na terra para que instiguem e dêem flor e semente, que se colhe no Verão.

Fazer isto só com uma variedade, pois como a polinização é entomófila (pelos insetos), a distância de isolamento para se garantir ausência de cruzamentos, é de 800 metros.

Há que ter ainda a atenção de produzir semente pelo menos ano sim ano não, pois a viabilidade germinativa é de 2 anos.

Não é preciso grande quantidade, pois cada grama tem cerca de 250 sementes.

No caso das variedades serôdias ou tardias há que ter alguns cuidados, em especial com a rega, para melhorar a qualidade e o poder de conservação. Quando a rama começa a tombar é altura de reduzir ou parar a rega.

A cebola estava a ser regada diariamente durante uma hora por gota a gota, com gotejadores a debitar 4l/hora e à distância de 33 cm (3 por cada metro de linha). Temos uma rega diária de 12 l/dia/metro de linha (cerca de 10 cebolas), ou seja um pouco mais de 1 litro de água/dia/planta.

Isto para cebolas é um tanto excessivo, mas já não o é para outras culturas da mesma horta e com o mesmo tempo de rega, pelo que a solução, para não deixar à sede as restantes, é deixar de regar a cebola e continuar a regar o tomate, o pimentão, a berinjela,…

Em solos mais arenosos, com menor capacidade de retenção de água, em vez de parar bruscamente pode fazer-se uma redução gradual da rega, reduzindo o tempo (minutos) ou aumentando o intervalo (dias) entre regas, conforme for mais prático para cada caso.

Na minha horta a válvula já não volta a abrir antes de colher a cebola.

E já agora, boas colheitas!