Prevenir e tratar as pragas e doenças da horta – o caso das lagartas

Sustentabilidade No verão os insetos se reproduzem em um ritmo cada vez maior na horta. Veja dicas de como prevenir e como tratar pragas e doenças.
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Com o aproximar do Verão, os insetos na horta reproduzem-se a um ritmo cada vez maior, em resposta ao calor e à abundância de alimento.

No caso dos que se alimentarem de plantas (fitófagos), eles podem tornar-se praga quando os estragos que causam na planta se transformam em prejuízo para o hortelão.

A limitação natural de pragas feita pelos insetos e outros organismos auxiliares, é na horta biológica, o principal meio de proteção fitossanitária das culturas.

Conforme já foi indicado no artigo anterior.

Para incrementar essa limitação natural e ao mesmo tempo reforçar as defesas da planta, devemos fazer o seguinte:

  • Criar infraestruturas ecológicas para os auxiliares (sebes mistas com espécies arbustivas e arbóreas favoráveis, charcas para anfíbios, muros de pedra seca, caixas ninho para chapins e outras aves insetívoras que façam ninhos em buracos, faixas com ervas com espécies melíferas);
  • Dar prioridade a variedades de culturas com maior capacidade de resistência e bem adaptadas ao solo e à época do ano;
  • Aumentar a diversidade de culturas fazendo rotação e consociação;
  • Cultivar as espécies hortícolas na sua época própria;
  • Evitar tratamentos pesticidas que matem os auxiliares;
  • Fertilizar o solo e as culturas de forma equilibrada e com base em fertilizantes orgânicos;
  • Não plantar plantas com sintomas de doença. 

Mas nem sempre estas medidas são suficientes para evitar totalmente os prejuízos, sendo certo que estes são menores quando as medidas preventivas são postas em prática.

Para avaliar o risco de prejuízos provocados por uma pragas ou uma doença, fazem-se observações diretas dos sintomas ou colocam-se armadilhas para capturar os insetos adultos.

É o caso da armadilha sexual usada para capturar o macho da lagarta do tomate (Helicoverpa armígera), que se coloca no meio da cultura logo após a floração.

Quando surgem os primeiros frutos.

Desta forma podemos detetar a praga ainda antes dela aparecer ou quando dos primeiros ataques.

Ao início do ataque é altura de tratar com o inseticida autorizado em agricultura biológica, que esteja homologado para a praga e cultura e que seja o mais seletivo possível.

Ou seja que não tenha efeitos secundários na fauna auxiliar.

No caso das lagartas de borboletas (lepidópteros).

Como as do tomate, da couve, de outras culturas hortícolas, e ainda a da uva e a da oliveira, deve tratar-se com o biopesticida feito a partir da bactéria Bacillus thuringiensis (descoberta na Thuringia, pelo Sr. Berliner em 1915).

Em Portugal os principais produtos comerciais homologados são, Turex (duas estirpes da bactéria).

Bactil x2 e Sequra, cuja embalagem mais pequena (100 gramas de pó molhável) dá para 100 litros de calda, que chegam para tratar 1.000m2 de culturas.

Em hortas mais pequenas há que dosear bem o produto para evitar excessos. Para que seja eficaz o tratamento.

A água da calda deve ser ácida (pH próximo de 6), pelo que se à partida não o for, deve juntar-se vinagre (cerca de 0,2 l/100 l).

No caso das couves, como têm uma camada cerosa que provoca o escorrimento da calda, pode juntar-se leite à calda (cerca de 1 litro de leite por 100l de calda).

Para aumentar a aderência, pois a lagarta só morre se ingerir o produto, o que só acontece se a parte da planta atacada estiver coberta com o tratamento.