Porque brindamos?

Sustentabilidade O brinde, que é um hábito de comemoração universal, é uma das celebrações mais antigas do mundo. Você sabe o porque nós brindamos?
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O brinde é um hábito universal e uma das mais antigas tradições no mundo. 

E em quais ocasiões podemos brindar? Podemos brindar em inúmeros momentos, aniversários, casamentos, noivados, objectivos alcançados, um emprego novo, ou simplesmente quando queremos brindar a qualquer coisa que tenha significado para nós.

Um brinde significa uma celebração. 

Mas antes de ser uma celebração, o ato de brindar tinha um significado diferente e são relatadas várias origens deste ato.

Segundo Jennifer Rahel Conover, autora do livro Toasts for Every Occasion ("Brindes para Todas as Ocasiões”) os relatos mais antigos de brindes remontam aos gregos e fenícios.

Ao erguer as suas taças de vinho, os povos antigos faziam uma dádiva simbólica aos seus deuses. Mas não só. Na Roma antiga, os monarcas e os nobres quando desejavam assassinar alguém, colocavam veneno nas suas taças de vinho.

Devido a esta ameaça, durante os banquetes, os anfitriões, de forma a demonstrar aos convidados, que estavam seguros e que podiam confiar que o vinho não estava envenenado, esbarravam fortemente as suas taças com os seus convidados, o que fazia que a bebida de uma taça saltasse para a outra.

Este "brinde” demonstrava que não havia sido feito nenhum tipo de envenenamento, pois os dois  faziam o brinde e bebiam o mesmo vinho.  

A batida das canecas selava a prova de boa-fé.

Também na Roma antiga se dizia que do vinho desfrutavam todos os sentidos, menos a audição. Neste sentido, o bater dos copos, um no outro, no chamado "tchim tchim”, tornou-se o último sentido a "saborear” a bebida.

Para percebermos melhor, o primeiro sentido envolvido é o tato, ao colocarmos o copo na mão, ou mesmo a abrir a garrafa, depois o olfato (na apreciação dos aromas), a visão (na observação da cor) e, finalmente, o paladar.

Com o tilintar das taças, o sentido auditivo começou também a participar do prazer da bebida.

No seu livro "Curiosidades sobre o Vinho”, Pamela Vandike Price escreve um divertido conto de como surgiu o brinde.

 "Uma vez no Monte Olimpo, houve problema entre os deuses. Os Sete Sentidos haviam sido convidados a uma festa por Dionísio, o deus do vinho, mas mesmo as bebidas mais deliciosas que seu mordomo Baco servia com mão pródiga, não deixavam todos satisfeitos.

Os Sentidos, pelo menos seis deles, expressaram satisfação em poder contribuir para as sessões de vinho. A animação acendia os olhares e encorajava as pessoas a dançar. O Sentimento passou muito tempo tragando goles de vinho, inclinando a cabeça sabiamente e trocando opiniões com a Fala, que estava ocupada com um caderno.

O sentido do Paladar estalava os lábios e mostrava expressões satisfeitas depois de engolir, olhando desdenhosamente para o sentido da Visão, que segurava um copo contra a luz do Sol, e o Olfato, que fazia ruídos como um leitão cheirando alguma fruta ou flor deliciosa.

Todos os sentidos estavam ocupados, com excepção de um. Esse rabugento não estava a beber e dirigiu-se a Dionísio com atitude de quem vai reclamar alguma coisa.

 "Você deixa-me deixa de fora, toda a gente aqui sempre obtém alguma coisa do vinho, mas eu não. Como é que posso ouvi-lo?” Porque este era o sentido da Audição.

"Claro que podes, disse!” Disse Dionísio jovialmente. "Vá a uma vinícola quando o vinho estiver começando a ser feito; o gorgolejar, o chape, os sons das ondulações, tudo isso lhe deverá dar prazer”.

"Mas eu não posso simplesmente ficar lá”, objectou a Audição. "Vocês todos divertem-se em torno da mesa.

A menos que alguém quebre um copo ou caia bêbado, não há nada para mim aqui.” Dionísio se apoderou de um copo da bandeja de Baco e pediu para a Audição pegar outro.

"Agora ouça”, disse Dionísio, "Quando as pessoas se reunirem para beber vinho elas farão isso”, ele ergueu o copo batendo-o levemente contra o da Audição, de modo que os dois tilintaram agradavelmente. O Sentido da Audição saiu por aí batendo o seu copo contra todos os outros…”