Perfecionismo - Na Busca do Inatingível

Bem Estar Geralmente o perfeccionista tenta dar o seu melhor para não receber criticas, porém tem que ficar atento para que o perfeccionismo não passe do saudável.
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O  conceito de perfeição está muito associado a pessoas competentes e produtivas.

Mas será realmente assim?

Haverá uma linha a diferenciar o saudável do disfuncional?

É a objectividade dos fins definidos, as estratégias utilizadas para os atingir, o limite de esforço dispendido e o prazer associado a estes processos.

O que diferencia as pessoas que naturalmente  aspiram à eficácia e ao sucesso das que fazem do perfeccionismo um modo de pensar e estar.

Aceitando o conceito de perfeccionismo num registo normativo, o mesmo pode ser aplicado a pessoas bastante motivadas para o sucesso, conhecedoras das suas características/potencialidades.

E que, perante as dificuldades não desanimam nem ficam frustradas.

Os sucessos são valorizados e os insucessos transformados em oportunidades de aprendizagem.

O Perfeccionismo enquanto característica psicológica e disfuncional é definido como a procura de resultados livres de crítica (e, por isso, inatingíveis).

Os padrões de desempenho são muito exigentes e a interpretação dos acontecimentos é distorcida.

Pode dizer-se que são indivíduos que acreditam na irracionalidade do seu pensamento.

Na procura constante de aprovação e de situações "perfeitas” tornam-se vítimas das suas obsessões e criadores da sua infelicidade.

O perfeccionismo está assim na base do desenvolvimento e manutenção de vários quadros clínicos nomeadamente ansiedade, insónia, depressão, perturbações alimentares.

O prazer é um sentimento difícil de atingir pois o indivíduo está em permanente vigilância.

A planificação é constante e sujeita a intensas criticam e ajustamentos.

O deixar acontecer não é permitido. O entusiasmo da descoberta é quase inexistente.

Como tudo tem de ser perfeito a execução das tarefas no tempo desejado pode ficar comprometida - procrastinação.

As tarefas são interpretadas como demasiado difíceis ou demasiado importantes.

Controladores podem comprometer as suas relações familiares e profissionais.

Nada é suficientemente satisfatório e o prazer é um estado muito difícil de alcançar. Os afectos são difíceis de expressar e quase incompreensíveis se expressos pelos outros.

Estes padrões de comportamento podem ser prevenidos com o estabelecimento de relações de vinculação seguras e estáveis.

O afecto incondicional entre pais e filhos e a conquista de autonomia pelas crianças são fundamentais para que se sintam valorizadas e se transformemem jovens e adultos saudáveis e felizes.

Todo o perfeccionismo é acompanhado de inflexibilidade quer seja orientado para o próprio, para o outro ou para o social.

Se para o perfeccionista a possibilidade de falhar é insuportável, a sua rigidez aproxima-o da possibilidade temida.

Ao atribuírem a si próprios a responsabilidade do seu sucesso e do seu fracasso esquecem factores externos que muitas vezes são preponderantes para o sucesso (nomeadamente pedir uma opinião).

Conformistas, desconhecem a criatividade e o valor da experiência.

A exaustão emocional e a fadiga física são praticamente inevitáveis.

A procura de ajuda técnica pelo próprio resulta habitualmente de sintomas físicos, sempre dissociados de uma razão psicológica, impeditivos de atingirem o "sucesso”.

Esta dificuldade em aceitar ajuda ou de crítica resulta dessas certezas inabaláveis e de grelhas rígidas de pensamento.

Essa capa de crenças esconde fragilidades que deixam o individuo preso às suas dúvidas e aos seus excessos.

A nossa existência pressupõe responsabilidade.

A responsabilidade pressupõe liberdade. O perfeccionismo distorce este princípio.