Para que servirá o reconhecimento de um “novo” Património Mundial Intangível?

Sustentabilidade Você sabe para que irá servir um reconhecimento de um novo patrimônio mundial? Venha entender tudo sobre este assunto aqui.
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No seguimento da conferência internacional que ocorreu em Serralves em Novembro e que se denominou "Educar para o património Comum”, terminamos hoje a reflexão sobre esse tema.

Para que servirá o reconhecimento de um "novo” Património Mundial Intangível?

São diversas as vantagens decorrentes do reconhecimento do Sistema terrestre como património natural intangível. Vejamos algumas:

Atribui um estatuto jurídico ao "espaço de manobra seguro para a Humanidade”.

  • Captura externalidades (positivas e negativas).
  • Serve de padrão para a construção de um sistema de contabilidade dos diferentes contributos para a manutenção deste património.
  • Ao capturar os contributos positivos, pode servir de suporte para contabilizar e integrar na economia os serviços de ecossistema de interesse comum global.
  • Partindo das opções tomadas na definição dos indicadores que servem para aferir o estado do sistema e, portanto, do património, é possível construir uma métrica que tem em conta os indicadores previamente estabelecidos.
  • Permite que todos os envolvidos possuam uma percepção do contributo de cada um para a manutenção do património comum, potenciando a construção da confiança entre os envolvidos que torna possível uma acção colectiva global.
  • Delimita um objecto possível de governança institucionalizada, realizada no interesse comum.
  • Serve como património intermediário nas negociações globais.
  • Possibilita a representação dos interesses de toda a Humanidade e das gerações futuras na mesa das negociações.

De que forma pode o "Património Natural Intangível” contribuir para o esclarecimento das encruzilhadas críticas da humanidade contemporânea?

Muita da complexidade das encruzilhadas em que estamos envolvidos encontra alguma explicação nesta natureza que nos está oculta, mas que constitui o "código genético” ou "software” do sistema terrestre.  

O património natural intangível ajuda-nos a perceber a dimensão fundamental do sistema Terrestre, que se traduz através de indicadores e limites que constituem o "alfabeto” do nosso espaço de manobra seguro.

Partindo do que já conhecemos, temos de negociar, não só os indicadores e os limites, mas também as métricas que deveremos usar para gerir o uso que cada um faz desse património comum. 

E com base na informação disponibilizada pela ciência, construir uma representação, um monumento "intangível” que transforme a incerteza ambiental numa certeza social construída. 

"O património incorpóreo contribui para o esclarecimento das encruzilhadas críticas da humanidade contemporânea na medida em que lança luz sobre a condição humana, e sobre alguns caminhos possíveis para sua redenção.

(...)Para concluir, diria ainda que o património incorpóreo indica-nos o caminho de uma tarefa não só libertadora, como, sobretudo, redentora: a tarefa de construir uma meta-narrativa que seja hospitaleira e mobilizadora para o género humano.

Nessa medida, poderemos designar o património incorpóreo pela nota distintiva de ser o único que não só queremos preservar no futuro, mas aquele que nos aponta o futuro como um mundo a construir em conjunto. De forma sempre incompleta, mas com uma entrega permanente.