Eu saudável Daniela Seabra

Obesidade: um fator de agravamento da inflamação

O tecido adiposo já há muitos anos que deixou de ser visto como um mero local de armazenamento de gordura proveniente dos nossos excessos calóricos ao longo da vida.

O tecido adiposo é também o local de armazenamento de diferentes compostos tóxicos, e o local de produção de inúmeras moléculas chamadas adipocinas às quais têm sido atribuídos diferentes efeitos a nível do metabolismo, controlo do apetite e ao aumento da inflamação. Além disso, no tecido adiposo é ainda possível observar diferentes células do sistema imunitário ativadas, perpetuando uma reação inflamatória constante.

Alguns especialistas chegam mesmo a caracterizar a obesidade como um estado de inflamação crónica de baixa intensidade, ou mesmo como uma doença inflamatória. Quanto maior o grau de obesidade maior a inflamação, especialmente quando esta é em redor da cintura. Mas mesmo nesta obesidade abdominal há barrigas e barrigas...

Obesidade visceral ou subcutânea

Algumas barrigas são "fofas”, sendo possível segurar o excesso de gordura com as nossas mãos. Uns chamam-lhe pneus, já outros dão-lhe o nome de "muffin top” (parte de cima de um muffin ou queque) dada as semelhanças visuais. Por outro, lado temos as barrigas mais durinhas, onde a tarefa de agarrar no excesso de tecido gordo pode ser uma tarefa quase impossível – umas autênticas barrigas de grávida. No meio destes dois extremos, temos aquelas barrigas que apresentam um pouco das duas versões.

Mais do que uma questão visual, esta duas barrigas têm consequências diversas, e as barrigas mais duras, são sem dúvida as mais perigosas. Enquanto na barriga fofa a gordura está localizada entre o músculo e a pele (chamada gordura subcutânea), no caso da barriga dura a gordura está localizada em redor dos órgãos, sendo chamada de gordura visceral. Apesar de ambas as barriguinhas estarem bastante associadas às complicações da obesidade, como ao aumento da incidência de diabetes, hipertensão, dislipidemia (aumento das gorduras do sangue), esteatose hepática (acumulação de gordura no fígado) e inflamação deste (hepatite não alcoólica), aumento da incidência de diferentes cancros e de diferentes complicações cardiovasculares, como a trombose, AVC e enfarte, é a gordura visceral a mais associada a estas complicações. Assim sendo, quando maior a sua barriga, e quanto mais dura esta barriga for, maior o risco de vir a apresentar estas complicações.

Este excesso de gordura, dada a capacidade de aumentar a produção de moléculas pró-inflamatórias, vai servir de fonte contínua de estímulos para aumentar a sua inflamação silenciosa, assim como de uma doença crónica inflamatória que tenha, como artrite, bronquite, e tantas outras "... ites”.  
No caso das doenças inflamatórias crónicas a nível osteoarticular, a questão do excesso de peso sobre estas articulações vai agravar ainda mais  a doença e os processos inflamatórios associados.

O que fazer?

- Emagrecer, e perder esse excesso de massa gorda, mas de forma gradual;

- Exercício, exercício, exercício. Esta forma de obesidade é que melhor responde ao exercício físico moderado, que é feito o maior número de vezes possível (a famosa caminhada de 30 – 45 minutos todos os dias da semana);

- Evitar os alimentos pró-inflamatórios;

- Preferir alimentos anti-inflamatórios.

EsmeraldAzul – para uma vida saudável, consciente e sustentável.


0 comentários

Entrar

Deixe o seu comentário

em resposta a