O solo agrícola, um recurso natural escasso

Sustentabilidade Suporte à expressão para plantações contém nutrientes naturais sem apresentação de adubos químicos.
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O solo é uma fina camada à superfície da Terra que demora milhares de anos a formar-se.

É um recurso não renovável a curto e médio prazo e, mesmo a longo prazo, situações há em que muito dificilmente voltará a haver solo cultivável - caso dos desertos que já foram terra fértil.

São necessários cerca de dois séculos para se formar 1 cm de espessura de solo a partir da rocha-mãe excepto em cinzas vulcânicas como as do vulcão Krakatau.

Em que se formaram cerca de 25 cm do solo em 100 anos.

Mas em terreno com elevado declive e não protegido, bastam alguns aguaceiros para arrastar esse solo.

A taxa média de formação de solo é de 1 cm por um período de 100 a 400 anos.

A essas taxas são necessários 3000 a 12000 anos para formar solo suficiente para um terreno produtivo.

O problema da erosão do solo e da desertificação física é muito grave a nível mundial e a continuar assim o problema da fome no mundo terá tendência a agravar-se.

Um dos especialistas mundiais da matéria, David Pimentel.

Disse que " a erosão do solo é a maior ameaça para a sustentabilidade da agricultura em todo o mundo e, em especial nos Estados Unidos”.

Na Europa, os principais problemas de degradação do solo decorrem da impermeabilização, erosão, contaminação, salinização, compactação.

Perda de matéria orgânica e perda de vida.

Em França, cerca de 60% dos solos agrícolas estão ameaçados de erosão, com perdas médias anuais de 40 toneladas por hectare.

Na cultura da beterraba sacarina chegam a perder-se 100t/ha/ano.

Em Espanha a situação não é melhor.

A Andaluzia é a região mais afectada, em especial na cultura da oliveira. No olival andaluz, estimativas oficiais indicam perdas de solo anuais superiores a 80t/ha.

A erosão e, em particular a perda de matéria orgânica do solo, liberta dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera.

Contribuindo para agravar o efeito de estufa e as alterações climáticas.

A agricultura que deveria servir para contrariar esse efeito, com o sequestro do carbono no solo, tem vindo nas últimas décadas a ter um impacte negativo.

A perda de 1% (um ponto percentual) de matéria orgânica no solo equivale à libertação de cerca de 20 toneladas de CO2 por hectare.

Segundo o Professor Pimentel, da Universidade de Cornell, a agricultura convencional americana liberta todos os anos 420 milhões de toneladas de CO2.

O que é uma parte importante dos 6 mil milhões de toneladas libertados anualmente nos Estados Unidos.

Em França a agricultura e a silvicultura terão sido responsáveis por 16% dos 534 milhões de toneladas de CO2 libertados para a atmosfera em 2005.

Ou seja 86 milhões de toneladas de CO2.

Nos últimos 50 anos na Europa o teor médio de matéria orgânica no solo passou de 4% para 1,4% o que equivale a uma enorme quantidade de CO2 libertado.

Isto é o resultado de práticas agrícolas erradas que, se não mudarem urgentemente.

As gerações vindouras deixarão de ter solo para a produção de alimentos e clima adequado à sua sobrevivência.

Num dos mais antigos centros de experimentação de agricultura biológica.

O Rodale Research Center, na Pensilvânia, foi estabelecido um campo experimental para responder à questão da matéria orgânica no solo e do carbono libertado com diferentes práticas agrícolas.

Em 1981 foi iniciado o cultivo com 3 modalidades: agricultura convencional com adubação química, agricultura biológica com leguminosas (adubo verde) e agricultura biológica com estrume.

Ao fim de 23 anos de ensaio (2003) foram publicados os primeiros resultados com as seguintes conclusões:

  • Nenhum aumento da matéria orgânica do solo na modalidade convencional, 15% de aumento na modalidade biológica com leguminosas e 28% de aumento na biológica com estrumação;
  • Fixação anual média de CO2 nas modalidades de agricultura biológica de 3,7 toneladas.

Em Portugal a situação é também muito grave.

Na falta de valores precisos quanto à situação portuguesa, chamamos a atenção para algumas situações que resultam duma má prática agrícola.

É o excesso de mobilização do solo (lavoura, escarificação, fresagem ou gradagem) a principal causa de erosão hídrica em Portugal.