O Corpo Construído

Bem Estar Saiba como se identificamos com alguns grupos para a construção do nosso corpo, entenda porque a sociedade nos molda.
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O corpo humano constitui-se a partir de representações individuais e sociais que se alteram através de processos dinâmicos por sua vez expressos na forma como os indivíduos usam, percebem e transformam o corpo.

O culto ao corpo existe há muitos anos e parece respeitar a história natural dos indivíduos e da sociedade quando, perante o inadequado e a ausência de liberdade do ser humano, observamos alterações nas práticas do mesmo.

Os cuidados com o corpo na sociedade contemporânea têm vindo a mostrar-se como o resultado de uma evolução científica e social positiva mas, também, negativa.

Frequentemente, o indivíduo responde a solicitações externas que o levam à conquista de "ideais” inatingíveis e que resultam em culpabilização e consequências perversas.

Diferentes conceitos como saúde, boa forma, beleza, amor-próprio são facilmente adulterados e justificam comportamentos que chocam e destroem princípios que garantem o equilíbrio do ser Humano.

O culto ao corpo existe há longos anos mas cabe à Psicologia alertar que a socialização não deforma e que a integração social não pode levar a inclusões repressivas.

As " técnicas” utilizadas para práticas de modificação corporal passam por exemplo pela cirurgia, pelo ginásio, pela dieta, pelo piercing, pela tatuagem.

As motivações são diversas:

  • Estranheza com um traço (característica) do próprio corpo;
  • Identificação com o grupo;
  • Oposição individual ou com o grupo;
  • Prática de costumes;
  • Recusa de envelhecimento;
  • Rituais de passagem.

O corpo é muitas vezes objeto de exploração como se pertencesse a uma entidade anónima e sem "alma”.

Registamos algumas incoerências ou pontos de reflexão nestes processos de transformação do corpo:

  • A busca de uma individualidade e de uma identidade pessoal choca com o conceito de simetria e de colagem a um grupo;
  • A busca da "boa forma” impede o próprio corpo de gerar e sentir prazeres presentes em corpos funcionais;
  • A desumanização por vezes presente nas alterações corporais;
  • A transformação do indivíduo num ser passivo e sem corporeidade.

A resistência a práticas de dominação do corpo e às teorias que alteram a consciência dessa submissão pressupõe atitudes reflexivas, informadas e responsáveis. São estas atitudes que garantem a cada indivíduo a possibilidade de ser livre na construção do seu próprio corpo.