O colesterol deve ser combatido! Mas será mesmo assim?

Alimentação O colesterol deve ser combatido? entenda como o colesterol pode trazer benefícios à saúde, saiba porque ele é necessário para o corpo.
Você vai ler:

Desde há anos que somos bombardeados com a noção de que o colesterol é um inimigo que deve ser combatido.

Segundo diferentes especialistas, os nossos valores de colesterol são os responsáveis pelo aumento crescente de diferentes doenças cardiovasculares, e ano após ano, os valores máximos de referência têm vindo a baixar.

No caso da presença de doenças como a diabetes, os valores considerados ótimos de colesterol plasmático são mesmo praticamente impossíveis de conseguir sem a ajuda de fármacos.

Apesar desta luta acérrima contra o colesterol, os números de doenças cardiovasculares continuam a subir. Estaremos a lutar contra o inimigo errado?

Para que serve o colesterol?

O colesterol é uma molécula a partir do qual o nosso organismo produz diferentes hormonas – que as diferentes hormonas sexuais masculinas e femininas, que as hormonas produzidas pela glândula suprarrenal, como o cortisol ou a aldosterona.  

O colesterol é ainda responsável por ajudar na manutenção da fluidez adequada das diferentes membranas plasmáticas que rodeiam todas as células do organismo, é parte fundamental da bainha de mielina (fundamental para o funcionamento dos neurónios), e é também a partir do colesterol que o nosso organismo produz vitamina D.

É também a partir do colesterol que o nosso organismo produz os sais biliares, fundamentais para a digestão e absorção das gorduras, onde se incluem as gorduras essenciais ômega 3 e ômega 6.

Uma correta absorção destas gorduras permite ainda a absorção das vitaminas lipossolúveis, como a vitamina A, D, K, e da vitamina E, o principal antioxidante das membranas celulares.

Quando os níveis de colesterol são demasiado baixos (o que acontece com a toma continuada de fármacos que impedem a síntese de colesterol), o nosso organismo deixa de ter a matéria prima suficiente para conseguir produzir todas estas moléculas essenciais à nossa saúde.  

Metabolismo do colesterol

A grande maioria do colesterol que circula no organismo é produzido pelo fígado. Se a ingestão alimentar de colesterol diminuir, o nosso fígado aumenta a produção, e se a ingestão aumentar, a produção hepática diminui.

Infelizmente, quando temos níveis altos de insulina, a produção de colesterol está aumentando, desequilibrando este sistema.

O colesterol ingerido pela alimentação e produzido no fígado é transportado para as diferentes células do organismo.

O colesterol que já não é necessário é transportado de novo para o fígado, através das moléculas de HDL colesterol (também chamado de colesterol bom), onde é reutilizado.

Quando o colesterol é liberado para o intestino sob a forma de sais biliares, voltamos a reabsorve-lo para voltar a ser utilizado pelo nosso organismo.

Ou seja, o nosso organismo dotou-nos de pelo menos dois mecanismos para recuperarmos o colesterol e o voltarmos a usar, apesar de o conseguirmos produzir sem qualquer problema.

Será que é o nosso organismo que se engana, ou o colesterol é realmente algo precioso que não podemos nos dar ao luxo de eliminar?

Colesterol e doença cardiovascular

Diferentes estudos têm revelado a associação entre níveis elevados de colesterol e a incidência de doença cardiovascular, e as placas de ateroma estão normalmente repletas de colesterol, daí que se faça a associação direta de que o culpado de tudo seja o colesterol.

Mas será que o colesterol é realmente o culpado de tudo?

As moléculas de LDL colesterol são as responsáveis pelo transporte de colesterol para as diferentes células do organismo.

Mas quando estas moléculas de LDL não são recolhidas pelas células, podem ser oxidadas, em especial na presença de um elevado stress oxidativo (o que ocorre normalmente no caso da obesidade abdominal .

São estas moléculas de LDL oxidadas que tendem a formar parte das placas de ateroma. Não é por isso de estranhar que o maior risco cardiovascular não sejam as moléculas de LDL propriamente ditas, mas sim as moléculas de LDL oxidadas - que é algo totalmente distinto!

Assim sendo, mais do que impedir a produção de colesterol ou tentar reduzir os valores de colesterol cada vez mais, devemos sim evitar a oxidação destas moléculas de LDL,  nomeadamente através da ingestão adequada de antioxidantes.

Este é um dos motivos pelo qual a ingestão de alimentos como o chá ou o vinho tem vantagens cardiovasculares. Desta forma, estaremos a controlar os níveis de colesterol plasmático, ao permitir o seu correto metabolismo e impedindo a sua oxidação.  

Além disso, são cada vez mais as associações entre a presença de uma inflamação silenciosa e de níveis altos de homocisteína e o aumento da incidência de doenças cardiovasculares.

Insulina e as moléculas de LDL pequenas e densas

O que já se descobriu há bastante tempo é que o nosso organismo é capaz de produzir 2 tipos de moléculas de LDL: umas mais pequenas e densas, e outras maiores e fofas.

São as primeiras (as pequenas e densas)  que estão mais associadas a um elevado risco de formação de placas de ateroma, e sabe-se hoje que estas são formadas quando estamos perante uma obesidade (em especial abdominal), e quando existe uma resistência à insulina, ou mesmo diabetes (em especial do tipo 2). 

Assim sendo, se queremos diminuir o risco de doença cardiovascular, devemos diminuir os níveis de insulina circulantes – e desenganem-se todos os que acham que apenas os gordinhos têm valores altos de insulina....  

Assim sendo, se pretende fazer prevenção cardiovascular e impedir o aumento dos níveis de colesterol plasmático, mais do que impedir a sua absorção e/ou produção, optimize o seu metabolismo, e verá que os seus níveis de colesterol irão normalizar. Para isso, deverá:

  • controlar o seu peso, perdendo peso de forma gradual;
  • evitar a acumulação de gordura em volta da cintura;
  • diminuir os seus níveis de insulina;
  • fazer exercício físico regularmente;
  • ter uma alimentação mais antiinflamatória;
  • evitar a inflamação silenciosa;
  • aumentar a ingestão de alimentos antioxidantes;
  • controlar o seu stress oxidativo;
  • melhorar os seus níveis de homocisteína.