O alho - alimento, condimento e biopesticida

Alimentação Você sabia que o alho não gosta de água em excesso? E que se tiver muita agua nele, a planta pode apodrecer? Venha saber tudo sobre o alho.
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O alho não gosta de água em excesso, pelo que as chuvas intensas desta época podem fazer apodrecer a planta, a começar pela raiz.

Para prevenir este problema há duas coisas a fazer no caso em que o terreno tenha má drenagem, ou seja, tenha tendência a ficar alagado quando chove, seja pela sua textura argilosa, seja por não ter declive.

A primeira medida é a abertura de valas de drenagem ainda antes da plantação, um trabalho a fazer no Verão ou no Outono, manualmente ou com a ajuda de máquinas no caso de maior extensão e profundidade.

A segunda prática, de que já falámos em artigo anterior, é a plantação em cama alta (ou camalhão).

Também é chegada a altura de mondar as ervas, principalmente aquelas que crescem mais depressa que os alhos. Um sacho de lâmina de raspar e cabo comprido permite tirar a maior parte das ervas sem grande esforço, principalmente se não as deixarmos crescer muito.

Assim, ainda havemos de colher bons alhos.

Alhos que também podem vir a fazer falta para preparar um tratamento biológico para tratar outras culturas e as defender de fungos e insetos.

O alho pode ser usado como repelente, inseticida e fungicida. O alho tem um efeito antibiótico e fungicida. O alho contém um derivado do aminoácido cisteína, chamado aliina, percursor dos componentes de efeito pesticida.

A aliina é solúvel em água e não tem cheiro, mas quando o alho é esmagado o cheiro característico é libertado, resultante da transformação da aliina em alicina, a substância pesticida primária.

Logo, quanto mais forte for o cheiro mais forte é também o alho com pesticida. A alicina em água forma o ajoeno e outros compostos de enxofre.

O efeito sobre pragas e doenças varia com os tipos de preparação e que são principalmente os seguintes:   

  • maceração em água: alho esmagado ou em pó misturado com água;
  • suco de alho esmagado a frio numa prensa;
  • extrato em solvente orgânico: alho esmagado ou em pó e misturado com um álcool (metanol, por exemplo), solvente que depois é evaporado, sendo o que resta misturado com água;
  • óleo de rama e caules destilados.

Como fazer?

Para a preparação duma solução aquosa de alho que pode ficar armazenado até ser necessário aplicar, pode proceder-se do seguinte modo.

Misturar duas cabeças de alho (cerca de 115 gramas ou 0,115 Kg) com 950 ml (0,95 l) de água e algumas gotas de sabão líquido; triturar com "varinha mágica”, deixar 10 minutos e filtrar para remover as partes sólidas; o líquido recolhido pode ser guardado; para pulverizar diluir na proporção de 1:10 imediatamente antes da aplicação.

Tal solução contém entre 25 e 50 mg/l de alicina e pulverizada sobre as folhas combate vários fungos e bactérias e pode ainda prevenir viroses. Pode também ser aplicado ao solo para combater nemátodos.

Também repele moscas brancas, borboletas, escaravelhos e possivelmente piolhos. Pode também matar algumas pragas mas não é eficaz contra gafanhotos, tripes e aranhiços.

As pulverizações feitas com óleo de caules de alho destilados são muito voláteis para serem muito eficazes.

Os extratos alcoólicos (etanol, metanol) de alho são mais eficazes contra piolhos e outras pragas, mas também afetam os auxiliares, principalmente sirfídeos e crisopas.