Nutrição e psicologia de mãos dadas na prevenção da depressão

Bem Estar Veja como a nutrição e a psicologia ajuda a combater a depressão, podemos evitar algumas doenças e melhorar nossa saúde.
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A depressão atinge cada vez mais pessoas, e a venda de antidepressivos parece não parar de aumentar.

Quais os motivos?

Serão apenas razões psicológicas, ou poderá a nossa alimentação também estar a desempenhar um papel importante?  

Será que poderemos fazer algo para evitar a depressão?

O papel da alimentação

Sempre ouvimos dizer que somos o que comemos, mas infelizmente, a nutrição e alimentação são apenas consideradas para outras situações clinicas.

No que toca à forma como o nosso cérebro funciona, ao longo dos últimos anos fomos cada vez mais afastando "a cabeça do corpo”.

Como se tudo o que fosse "psicológico” não pudesse ser influenciado com o que se passa no resto do nosso organismo.

Ou como se o que nós comemos não pudesse influenciar a forma como o nosso cérebro funciona.

Está na altura de deixarmos de pensar desta forma compartimentada e começar a pensar no organismo como um todo.

Relativamente à depressão, são cada vez mais as evidencias da importância da nutrição e da alimentação.

Vejamos alguns exemplos:

Gorduras alimentares

A maior parte do nosso cérebro é feita de gordura – gordura essa que, na sua grande maioria tem de vir da alimentação.

Quando a nossa alimentação começa a ser deficitária nestas gorduras essenciais.

O cérebro deixa de ter as matérias primas necessárias – como consequência a qualidade da comunicação cerebral diminui e os sintomas de disfunção começam a aparecer.

Verificou-se uma alteração quer na quantidade, mas principalmente na qualidade das gorduras que consumimos.

Passamos a evitar alimentos como os frutas oleaginosas (nozes, amêndoas, avelãs, etc).

E por outro lado passamos a incluir gorduras processadas que até ao inicio do século XX nunca existiram na natureza.

Essa gorduras refinadas vieram substituir as gorduras que sempre existiram.

Mais baratas e com maior durabilidade essas gorduras vieram para ficar, nos croissants, nos diferentes bolos de pastelaria.

Nos alimentos fritos, folhados, nos diferentes produtos alimentares teoricamente comestíveis nas bolachas e até no pão embalado.

Quando escolhe consumir estes produtos em vez de oleaginosas, peixe ou algas está a dizer ao seu cérebro que em vez dele receber as gorduras essenciais para o seu funcionamento adequado.

Vai receber os substitutos baratos e que não desempenham a mesma função.

Não é por isso surpreendente que diferentes estudos associem o consumo destas gorduras a uma maior incidência de depressão.

Desnutrição

Apesar dos números da obesidade e do excesso de peso estarem a crescer, estamos cada vez mais desnutridos.

A maior parte da alimentação atual está empobrecida em diferentes vitaminas e minerais e o nosso organismo está a tentar fazer o melhor possível com o pouco material que lhe damos.

E o cérebro não é exceção. Sem vitaminas como as do complexo B, a vitamina D, sem minerais como o magnésio e o zinco.

Ou mesmo sem aminoácidos como o triptofano ou a tirosina, o nosso cérebro não é capaz de produzir neurotransmissores em quantidade suficiente.

Inflamação

Diferentes estudos tem associado a depressão a um estado de inflamação, daí que um estilo de vida mais pro-inflamatório alimentação.

Toxicidade ambiental, e a ingestão de alimentos que possam induzir inflamação possam estar a contribuir para a sua depressão.

Faz sentido por isso ponderar em começar a ter uma alimentação mais anti-inflamatoria, e começar a diminuir a sua exposição a diferentes tóxicos ambientais.

O papel das nossas vivências

De manhã não toma o pequeno almoço e justifica dizendo...

Estou enjoando, estou atrasado, não tenho tempo?

Não será por ter ficado acordado até às 3h da manhã a fazer alguma coisa que o domina?

Atualmente, os hábitos de vida a que aderimos tornam-nos escravos do tempo e de satisfações imediatas.

Estamos rodeados de estímulos e oportunidades que nos comandam talvez por sermos pouco disciplinados, precipitados e educados para evitar a frustração.

Temos vindo a mudar os nossos horários e as nossas prioridades.

A falta de tempo é a desculpa mais usada para  adiarmos a execução de compromissos e sobretudo para não pensarmos.

Em consequência, enredamo-nos num discurso e em atitudes rígidas que em nada promovem o bem estar individual e a nossa relação com os outros.

Vivemos como agimos e de acordo com o que pensamos.

Logo, somos capazes de promover estados de doença ou de bem-estar.

Fundamental, é que as grelhas de interpretação da realidade sejam alteradas ou melhor, revistas e que, o conhecimento exista e seja promovido.

Deixemos de ser vitimas dos enjoos matinais que nos levam a saltar uma refeição tão importante, do computador para não jantamos em família, da falta de tempo para não cozinharmos!

Podemos evitar algumas doenças nomeadamente a depressão.

Mas, sobretudo, podemos encará-la de maneira diferente se nos envolvermos de maneira consciente na nossa saúde.