No Coração do Mar, Nathaniel Philbrick

Bem Estar Conheça o livro Coração do Mar de Nathaniel Philbrick, literatura obrigatória para os amantes do mar.
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A água como fonte primordial da vida, lugar de origem, elemento universal que durante milénios apaixonou a humanidade. Lugar de medos e de esperança, de destinos por cumprir.

A água é, assim, capaz de salvar e de perder os homens, e o mar, o elemento primordial da superfície terrestre, é capaz de ligar e separar as terras, de criar mitos e um património de histórias e relatos de naufrágios dos povos que esperam junto à beira-mar, como o nosso.

Como tal, leia-se a história trágico-marítima − famosa nos anais da historiografia portuguesa – onde os relatos faziam renascer os medos e ensinavam-nos a respeitar aquele monstro azul que vive à nossa porta, à nossa costa.

De entre os famosos relatos – recitados em tabernas e lidos por todos, houve um que se tornou famoso não só pela história em si, mas por ter sido a origem e inspiração do famoso

Moby-Dick, o primeiro romance-que-mais-parece-um-documentário-da-National-Geographic, onde Melville embarca num mesmo barco personagens famosas como Ismael, o Capitão Ahab e Queequeg, acompanhados por uma extensa tripulação açoriana em busca de uma famosa baleia branca.

Mas a história real não começa nem acaba no The Pequod, mas sim no Essex, que abalroado acidentalmente no pacífico por uma baleia comum deixa alguns dos seus elementos náufragos numa das mais macabras descrições de como o mar pode ser inclemente com a sua beatitude.

Mas não se julgue que irá ler um relato do início do século XIX.

No livro In The Heart of the Sea (No Coração do Mar), Nathaniel Philbrick recupera os dois relatos do naufrágio e reconstrói esta narrativa real, dando os mais vívidos detalhes sobre a macabra situação.

No dia 20 de Novembro de 1820, a quase 2.000 km das ilhas Marquesas, e longe de toda e qualquer rocha ou percurso de navegação, 21 homens têm de partir em 3 botes de um navio que se afunda e começam um calvário que lhes irá durar 94 dias e mais de 5.000 km, resultando na morte – acidental ou para aprovisionamentos − de 13 deles (dos 8 sobreviventes, 5 deles foram encontrados numa ilhota estéril no mar, onde resolveram parar para morrer).

Durante três meses, acompanhamos um historial de canibalismo, sede extrema e o sol inclemente que leva à loucura o mais são de nós.

Um dos mais incríveis relatos de naufrágios, que deixa o leitor suspenso na incerteza de um Pacífico infinito.

Mais do que a recordação de algo que passou há quase 200 anos (1820), uma obra vencedora do National Book Award de 2000, que este ano irá surgir no cinema.