Infecções urinárias na mulher. Tratar com ou sem antibiótico?

Bem Estar Entenda um pouco mais sobre infecções urinárias na mulher e veja quando os tratamentos com antibióticos são sugeridos.
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As infecções do tracto urinário (ITU) não complicadas, são consideradas as infecções mais frequentes nas mulheres.

De um modo geral, as mulheres durante a sua vida, podem sofrer pelo menos uma ITU e são uma das razões mais comuns para a consulta médica.

Com o aumento da longevidade aumentam as ITU complicadas. As bactérias responsáveis pelas ITU, normalmente fazem parte da flora intestinal.

A bactéria mais comum, é a Escherichia coli, seguida do Proteus, Klebsiella, bactérias Gram positivas, como a Streptococcus faecalis, Staphylococcus saprophyticus.

A maioria destas infecções é tratada empiricamente com antibióticos.

Existe evidência científica que, grande parte das ITU não complicadas, não necessitam de tratamento antibiótico. Prescrever antibióticos para as ITU não complicadas contribui para a resistência das bactérias.

A World Health Organization (OMS) considera a resistência antimicrobiana como o mais importante problema de saúde global e aconselha a reduzir a prescrição de antibióticos, de forma a preservar a antibioterapia efectiva, para as gerações futuras.

Existem estudos que demonstram que as ITU não complicadas tratadas com placebo podem ficar assintomáticas no espaço de uma semana.

Estudo recente (doi:10.1136/bmj.h6544) demonstra que o uso de anti-inflamatórios no tratamento das ITU não complicadas pode melhorar os sintomas e reduzir o uso de antibióticos.

E o risco de pielonefrite aguda?

Segundo os autores, deste estudo, o risco de complicações como a pielonefrite aguda é muito reduzido.

Os sintomas iniciais de ITU são desconfortáveis e muitas mulheres pedem tratamento eficaz imediato e a maior parte são tratadas empiricamente.

O uso de antibióticos pode ter efeitos secundários indesejáveis, além da resistência bacteriana:

  • O médico deve identificar quais as pacientes que necessitam de antibioterapia;
  • Existem testes laboratoriais para determinar a existência de complicações;
  • Pode existir bacteriúria assintomática, que significa presença de bactérias na urina, mas não existe contaminação das mucosas.

Piúria, que é a presença de leucócitos na urina. Pode existir gordura sem bacteriúria, o que exige exames para eliminar a hipótese de tuberculose, cancro , litíase renal.

A infecção urinária recorrente ou de repetição pode ser uma recaída ou uma infecção causada por uma nova bactéria.

No ponto de vista da Medicina Funcional Integrativa o tratamento da ITU não complicada, em pacientes saudáveis, pode ter outras opções terapêuticas sem necessidade do uso de antibióticos.

Os AINES, como o Ibuprofen, proposto pelos autores do artigo científico a que fazemos referência, pode por si só trazer efeitos secundários graves (ex. hemorragia gástrica).

A nossa proposta, para a paciente ficar rapidamente assintomática passa pela reposição da flora intestinal normal e estimular o sistema imunológico.

Pode incluir tratamento com fitoterapia, medicamentos homeopáticos-antihomotóxicos, e suplementos com Vitamina D.

Nas ITU de repetição a estratégia terapêutica terá que ser mais global.

O uso de terapêuticas supressivas e sintomáticas, sem ir às causas reais do problema perpetuam o problema de saúde.

As características biológicas similares do epitélio uretral distal com o epitélio vaginal, a dependência hormonal e a estrutura histológica de ambos os tecidos, permitem que germes patogênicos que afetam a uretra tenham iniciado a sua colonização na vagina.

As ITU são do tipo ascendente portanto alterações nas defesas da vagina favorecem a invasão bacteriana anormal do trato urinário.

Outros fatores de risco para as ITU de repetição: a obstipação, a gravidez, uso excessivo de antibióticos em infecções do tracto respiratório, alteração da imunidade, infecções oportunistas por candidíase.

A flora geniturinária normal, é predominantemente composta por lactobacilos. Nos doentes com ITU de repetição a região geniturinária é geralmente colonizada por uropatógenos.

A inflamação crônica das mucosas e a intolerância alimentar, podem estar subjacentes a este estado clínico.

O uso indiscriminado de antibióticos, sobretudo na infância, pode condicionar a alteração da imunidade natural.

Para o diagnóstico é necessário a realização de vários exames que podem incluir o estudo bacteriológico da urina e sensibilidade aos antibióticos, a análise da microbiologia das fezes para determinar se existe flora enteropatogênica e estudo da Intolerância Alimentar.

O tratamento passa por várias fases: controlar a infecção, aumentar a imunidade, repor a flora intestinal e corrigir as intolerâncias alimentares.