Glifosato no corpo humano – um grave problema a resolver

Bem Estar Saiba como o glifosato, substância encontrada em plantações, pode ser nocivo à saúde humana.
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Depois das conclusões divulgadas pela IARC- Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro, e na falta de análises oficiais, a Plataforma Transgénicos Fora, que integra diversas associações de defesa do ambiente e uma confederação agrícola, sentiu a necessidade de avançar com um estudo sobre a contaminação do corpo humano através da análise da urina e de alguns alimentos.

Em 26 voluntários portugueses, o glifosato foi detectado em 100% das análises efetuadas à urina.

Na Suíça, em 2015, uma iniciativa equivalente tinha detectado glifosato em  38% dos casos e, em 2013, num outro levantamento realizado pela associação Amigos da Terra em 18 países europeus, 44% das pessoas estavam contaminadas.

O valor médio de glifosato na urina dos portugueses testados foi de 26.2 ng/ml (nanogramas por mililitro). Para referência tome-se a Diretiva da

Qualidade da Água: na água de consumo o glifosato não pode ultrapassar os 0.1 ng/ml.

Isto significa que a quantidade de glifosato agora detectada, se estivesse em água da torneira, contaminaria essa água 260 vezes acima do limite máximo legal!

Este assunto foi recentemente a votação ao Parlamento europeu (PE) e a recomendação aprovada foi de que este herbicida deveria ser autorizado apenas para uso profissional e não mais de 7 anos (ao contrários dos 15 pretendidos pela indústria e pela Comissão europeia, aconselhada pela EFSA-Agência de qualidade e segurança alimentar).

Caso esta recomendação seja seguida pelos ministros europeus da agricultura, então o glifosato, não sendo totalmente proibido, deixa de poder ser aplicado em espaços públicos e em jardins privados.

Estas votações do PE não são vinculativas, cabendo agora aos governos e outras organizações internacionais tomar as medidas adequadas para proteger as populações. 

Considerando que este ano o glifosato está em processo de reavaliação na União Europeia, impõe-se a coragem de proibir o seu uso antes que as consequências se agravem.

O glifosato apresenta agora uma única dúvida relevante: terão os governos, em particular o governo português, coragem para cumprir o seu dever de proteção da saúde da população?

Não é fácil fazer frente a multinacionais com tanto poder como as dos agroquímicos e as das sementes transgénicas - consoante o destino legal que o glifosato vier a receber no seu processo europeu de reavaliação,  assim saberemos quem realmente governa os destinos da sociedade.

E não digam que não há alternativas, pois elas existem e muitas, desde a monda manual nas pequenas hortas até às mondas mecânica e térmica em áreas maiores. 

E há outras soluções ainda mais ecológicas, bastando imitar a natureza para as descobrir.

Numa floresta, por exemplo, não há terra ao sol, pois o solo está coberto com uma camada de folhagem em decomposição (a manta dita "morta”, mas muito viva), que não deixa crescer as ervas.

Então não será essa a melhor maneira de evitar as ervas em hortas e pomares?

Porque deitamos o corte da relva fora quando essa erva é dos melhores materiais para cobrir a terra. E as folhas das árvores que caem no Outono?

E a casca de pinho e outras árvores? E o engaço de uva e o bagaço de azeitona? E muitos outros materiais desperdiçados?