Glicemia e Hemoglobina glicada

Bem Estar Entenda as diferenças entre glicemia e hemoglobina glicada e conheça os riscos da elevação de açúcar no sangue.
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Os valores de análises sanguíneas da glicemia e da hemoglobina glicada, estão directa e intimamente ligados à alimentação.

O que é a glicemia?

A glicemia é a concentração de glicose no sangue, no momento em que se está a fazer a medição.

Pode-se fazer esta avaliação em jejum, mas também pode ser feita noutras situações, nomeadamente 2 horas depois de comer. Pode saber a sua glicemia com os testes simples de picada no dedo.

A glicemia considerada normal é entre 70 a 100 mg/dL em jejum e até 180mg/dL 2 horas depois das refeições.

A medição da glicemia faz parte das análises básicas de rotina na vigilância de saúde dos adultos.

Nos adultos saudáveis a glicemia mantém-se dentro dos valores normais, independentemente de os alimentos ingeridos nas últimas horas terem sido ou não ricos em açúcar.

Os diabéticos perderam a capacidade de manter a glicemia dentro dos valores normais, pelo que esta está habitualmente elevada.

O equilíbrio da sua glicemia depende de rigoroso controle alimentar e de medicação adequada.

O que é a hemoglobina glicada, também designada por hemoglobina A1c?

Sob certas condições a presença de açúcar junto de proteínas leva à junção destas duas substâncias, com a consequente alteração das qualidades e características das proteínas.

Num exemplo prático, observamos esta alteração quando cozinhamos leite com açúcar durante uns minutos a temperatura elevada, e a mistura começa a engrossar, e a caramelizar.

O açúcar foi-se ligando às proteínas do leite, alterando-as. Este processo químico tem o nome de glicação proteica.

Ora, no nosso organismo convivemos constantemente, lado a lado, o açúcar, que é o combustível das nossas células, e as proteínas, que são as microestruturas de que somos feitos.

É portanto previsível que aqui e ali, algumas proteínas acabem por se ligar ao açúcar e fiquem glicadas, ficando alteradas e incapazes de cumprir bem a sua função.

E como podemos saber qual a percentagem das nossas proteínas que sofreram uma glicação?

Recorrendo a uma proteína muito abundante no sangue – a hemoglobina – e medindo qual a percentagem de hemoglobina que está glicada.

A percentagem de hemoglobina glicada reflete a percentagem global de proteínas corporais que estão glicadas.

Nas pessoas jovens e saudáveis o valor de hemoglobina glicada (ou Hemoglobina A1c) deve ser inferior a 5,6%.

Há vários factores que podem aumentar o processo de glicação proteica, sendo os mais importantes a alimentação muito rica em açúcares, o aumento dos níveis de açúcar no organismo (como uma diabetes mal equilibrada), e alguns processos de envelhecimento orgânico.

A hemoglobina glicada mostra, de uma forma muito clara, os efeitos lesivos provocados pelo açúcar elevado sobre as proteínas durante as seis semanas anteriores.

Pelo valor da Hemoglobina glicada podemos ter uma ideia, de uma forma global, da percentagem de proteínas que foram alteradas e perderam a sua normal função em todos os órgãos e sistemas – cérebro, coração e vasos, olho, rim, glândulas, sistema digestivo, músculos, pele, etc.

Por esta razão a hemoglobina glicada é uma análise com um significado muito importante para perceber o impacto da alimentação e do estilo de vida na sua saúde.

Os equipamentos básicos de medição da glicemia que muitas pessoas têm em casa e também existem nas farmácias, não permitem saber o valor da Hemoglobina A1C, que terá de ser pedido ao laboratório.