Ginja de Óbidos – doce e ácido num fruto tradicional

Alimentação Conheça um pouco mais sobre a ginja: fruto com sabor doce e ácida, que é cada dia mais comum em nossas refeições.
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A origem tanto da ginjeira como da cerejeira, localiza-se na Anatólia oriental, região entre o mar Cáspio e Istambul (antiga Constantinopla), sendo estas espécies frutícolas já conhecidas pelas grandes civilizações da Mesopotâmia, principalmente pelas suas propriedades terapêuticas.

A ginjeira chegou a Portugal antes dos romanos, havendo uma referência de Plínio (sec. I d.C.) na sua descrição de 10 variedades cultivadas em Itália (ginjas e cerejas), que identifica uma com o nome de Lusitânia, certamente uma variedade cultivada na correspondente província romana.

A ginjeira cultivada atualmente na região de Óbidos e Alcobaça terá essas origens remotas e, pelas suas características morfológicas, inclui-se no grupo das "Galegas”, mas distingue-se das restantes variedades deste grupo, pela presença de folhas junto ao pedúnculo do fruto.

E é por isso que na região são conhecidas como "Ginja de Folha no Pé” ou "Galega de Folha no Pé”.

A produção local de ginjas não é suficiente para a produção do licor, o que tem levado à importação de ginja congelada da Polónia e de outros países do Leste.

Com o objetivo de diferenciar a produção regional e de dar uma informação correta ao consumidor, o Município de Óbidos e a Associação da maçã de Alcobaça, apresentaram ao Ministério da Agricultura e à Comissão europeia uma proposta de Indicação Geográfica Protegida (IGP) para a ginja da variedade regional produzida nos concelhos de Óbidos, Alcobaça, Nazaré, Porto de Mós, Caldas da Rainha, Bombarral e Cadaval.

Ao mesmo tempo tem vindo a apoiar tecnicamente a plantação de novos pomares em agricultura biológica, de modo a aumentar a produção e garantir a máxima qualidade alimentar e ambiental.

A IGP é relativa ao fruto, que pode ser utilizado no licor mas também noutros produtos alimentares (compotas, sumos) e medicinais (sucos, pedúnculos).

A aprovação da IGP está prevista para este ano e deverá contribuir quer para a diferenciação qualitativa da produção, quer para incrementar a produção regional.

As referências às propriedades terapêuticas da cereja e da ginja remontam ao séc. III a.C., por Diphilus Sifnos, médico grego do tempo de Alexandre Magno.

Estas propriedades resultam principalmente da composição dos frutos, apesar da mesma poder variar bastante com a variedade de ginja.

O fruto é rico em antioxidantes naturais, em especial as antocianinas que são responsáveis pela sua cor.

As ginjas parecem ser mais ricas em fenóis totais que as cerejas.