Frutos de sol e calor – a romã

Alimentação Você ja viu uma romãzeira de perto? Essas frutas de sol e calor eram muito enaltecidas pelos povos árabes por suas virtudes medicinais.
Você vai ler:

A romãzeira pode ser considerada, tal como a oliveira e a videira, uma planta bíblica. Já Salomão a referia no Cântico dos cânticos (4:3 e 4:13) nos seus poemas à sua amada:
"Os teus lábios são como um fio escarlate, a tua boca é doce.

A tua fronte é tal pedaço de romã por detrás do teu véu (…); Os teus renovos são um pomar de romãs com frutos excelentes…”.

Os povos árabes enalteciam as virtudes medicinais dos seus frutos e os romanos chamavam-lhe "maçã cartaginesa” (Malum punicum).

Foi cultivada na antiguidade por egípcios, fenícios e gregos, tendo os fenícios levado a planta para Cartago, onde passou a ser cultivada e a produzir frutos da melhor qualidade, conforme escreveu o romano Plínio.

Nas cerimónias e cultos romanos era considerada símbolo de ordem, riqueza e fecundidade. 

A planta está bem adaptada ao clima quente e seco do mediterrâneo, e também a solos relativamente pobres e com problemas de salinidade (grau 4 numa escala de 1 a 5).

Consegue também resistir à má drenagem e algum encharcamento no inverno e, mais tarde com o estio do verão, é também resistente à seca.

Suporta mal a geada quando nova, pelo que nas zonas mais frias convém tomar medidas de proteção ou então não plantar.

A planta cresce e floresce já com alguma intensidade e cor no 2º ano, sendo as flores polinizadas pelas abelhas que, em troca, recolhem o pólen para a sua criação, as jovens larvas).

As flores vingam e dão frutos que vão crescendo com o sol e o calor do verão. As folhas podem ser atacadas por pulgões, de 3 espécies possíveis (Aphis fabae, Aphis gossypii, e Aphis punicae), sendo o terceiro o mais específico da romã.

São as pragas mais importantes mas também são atacadas por várias espécies de insetos auxiliares (predadores e parasitoides), pelo que em hortas ou pomares biológicos em geral não é preciso aplicar inseticida.

Algumas romãzeiras numa horta são até um contributo para a limitação natural deste tipo de pragas que também atacam plantas hortícolas, visto que favorecem a fauna auxiliar.

Num pomar biológico de romã, devem também ser plantadas diversas espécies arbustivas e arbóreas em sebe mista de bordadura, com a principal finalidade de favorecer os insetos auxiliares, que depois vão combater as pragas da romã, como os pulgões ou outras. 

Os frutos, que este ano ainda estão em crescimento, são ricos em antioxidantes, em especial as antocianinas, que dão cor ao sumo. São principalmente a delfinidina e seus derivados (responsáveis pela cor azul e violeta) e a pelargonidina (relacionada com a cor vermelha e alaranjada).

Os valores de antocianinas totais são mais altos na plena maturação e variam com o clone ou a variedade de romã, com a maior parte dos frutos com valores entre 50 e 267 mg/Kg de peso fresco.

São pois bons alimentos e suplementos para o sol e para o mar.