Existirá um “espaço seguro” para a Humanidade?

Bem Estar Um espaço seguro e justo para a humanidade, onde todas as pessoas pudessem viver uma vida longa e saudável.
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Existirá um "espaço seguro” para a Humanidade?

O dilema que a humanidade enfrenta no século XXI, é que temos uma população ainda em crescimento.

A necessidade urgente de retirar um grande número de seres humanos da pobreza.

E um aparente desejo insaciável das populações dos países mais ricos de continuarem a aumentar os seus níveis de consumo de recursos naturais.

Estes desafios estão a empurrar a Terra para fora do domínio de estabilidade do Holoceno.

O único estado do Sistema Terrestre que sabemos com segurança ter capacidade de aguentar as civilizações humanas complexas.

E ameaçam minar a nossa própria sobrevivência.

A comunidade científica tentou responder a este desafio ao desenvolver o conceito de "Limites Planetários”.

Estes limites são baseados nas propriedades intrínsecas e "inatas” do Sistema Terrestre.

E não são negociáveis segundo a conveniência dos seres humanos.

As alterações climáticas são o mais conhecido destes limites, mas outros oito foram propostos para que, em conjunto.

Definam o estado do Sistema Terrestre, que sabemos ser propício ao desenvolvimento humano.

Apesar de haver ainda bastantes incertezas relativamente aos limites, que necessitam de bastante mais investigação.

A existência de limites planetários é clara e inteiramente consistente com a ciência de sistemas complexos.

Essencialmente, os limites planetários são designados para definir um estado do Sistema Terrestre, que corresponde à era geológica do Holoceno.

Em que os principais parâmetros biogeoquímicos e atmosféricos flutuam dentro de uma faixa relativamente estreita.

Este "espaço de manobra seguro para a humanidade”, deve ser entendido como um ponto específico além do qual a humanidade não deveria ir.

Do património natural tangível ao natural intangível

Da mesma forma que existiu um processo evolutivo de desmaterialização relativamente ao património cultural.

0Entre a Convenção da UNESCO de 1972 e a Convenção para a Proteção do Património Cultural Imaterial de 2003.

As recentes descobertas sobre o funcionamento do Sistema Terrestre confrontam-nos com uma nova realidade que nos é vital, e que embora não seja um produto do espírito humano.

Não é fisicamente definida nem geograficamente delimitável.

Pelo contrário, é global, não capturável e não apropriável, e depende essencialmente da estrutura de distribuição e concentração de componentes químicos e do nível das funções ecológicas existentes.

Que condicionam a acumulação de calor no planeta, que por sua vez condiciona a termodinâmica que determina o regular funcionamento dos dois grandes sistemas de circulação (oceanos e atmosfera) e do Sistema Terrestre como um todo.

Com o conhecimento já adquirido sobre estes processos-base e os indicadores que nos podem servir para medir e quantificar o estado do sistema.

Parece-nos que estão criadas as condições para construir um processo análogo ao da desmaterialização do património cultural e avançarmos para uma tutela jurídica global sobre o estado do Sistema Terrestre.

Um valor natural superior para a humanidade, e que constitui o suporte de todos os outros tipos de património natural ou cultural, já consagrados ou não.