Eu tenho reatividade a metais? Leia o que diz Vera Stejskal

Bem Estar Saiba como alguns metais encontrados no dia a dia podem prejudicar nossa saúde, veja alguns sintomas e fique atento!
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A Professora Vera Stejskal, autora do teste Melisa® que avalia reatividade a metais e investigadora com muita experiência na área da imunologia aceitou responder às nossas questões: 

A inflamação enquanto reação a metais é um tema recente em termos de evidência médica e tem sido o seu principal estudo e objetivo de investigação. Como é que esta inflamação se manifesta, ou quais são os sinais e sintomas que podem ajudar qualquer pessoa a suspeitar que está sob um processo inflamatório de reação a metais?

O sintoma mais reconhecido como sendo consequência de alergia a metais é o eczema ou manchas vermelhas na pele. Sinais de alergia local induzida por metais usados na boca são por exemplo: líquen que são manchas brancas na boca ou ardor e prurido.

Os sintomas menos conhecidos são sistémicos, por oposição ao exemplo local dado anteriormente: fadiga profunda, dor muscular, confusão mental e outros sintomas não específicos que geralmente são diagnosticados como Síndrome de Fadiga Crônica e Esclerose Múltipla.

A razão para isto é a desregulação do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal por citocinas inflamatórias que afetam o cérebro.

Estas reações acontecem apenas em pessoas cujo sistema imunitário reage aos iões de metais (que se ligam imediatamente a enzimas e proteínas, quando entram no organismo) que são libertados por ligas de metal que se vão corroendo no corpo (tais como amálgamas dentárias e implantes), ou por metais presentes nos alimentos, cosméticos, fumo de tabaco, poluição ambiental, etc.

É importante lembrar que um baixo nível de exposição é suficiente para causar problemas de saúde em indivíduos mais predispostos ou sensíveis e que quando se fala de reações imunológicas, não são os níveis de reação que interessam.

Através de dados que tenha recolhido e de um ponto de vista estatístico, quais são os metais mais responsáveis pela reatividade inflamatória e suas consequências clínicas?

Os nossos dados recolhidos durante 20 anos de pesquisa indicam que os metais mais usados em cuidados dentários são os indutores mais frequentes de sintomas locais e sistémicos.

O níquel é o agente sensibilizador mais comum em homens e mulheres, e pode estar presente em coroas dentárias e implantes de aço inoxidável. O níquel presente em bijuterias muitas vezes provoca problemas de pele.

Outros metais causadores de alergias são o mercúrio, encontrado em amálgamas (preenchimento cor de prata que se faz em alguns dentes); o ouro e o paládio usados em coroas de ouro ou aplicações de porcelana e metal.

Embora ainda seja rara, a alergia ao titânio está a aumentar e pode causar problemas em pacientes com implantes ortopédicos feitos de titânio.

Num estudo de 2006, testou-se a reatividade a metais em 700 pacientes e os resultados foram os seguintes: níquel (68,2%), cádmio (23,7%), ouro (17,8%), paládio (12,7%), mercúrio inorgânico (11,4%), molibdénio (10,8%), berílio (9,7%), dióxido de titânio (4,2%), chumbo (3,7%) e platina (3,4%).

Em termos gerais, posso dizer que é possível sermos alérgicos a qualquer metal.

Na medicina dentária, na cirurgia e na indústria farmacêutica são usados metais e compostos metálicos que são vistos como seguros e inertes – e que portanto seriam incapazes de reagir com o nosso organismo. No entanto, esta segurança está a ser questionada. Quais são as conclusões/reflexões das suas investigações?

Infelizmente, essa é uma noção ultrapassada. Todas as ligas de metais corroem e libertam iões metálicos.

Estes iões formam novos complexos com enzimas e outras proteínas do próprio corpo e podem estimular o sistema imunitário.
Implantes de cerâmica, como aqueles feitos a partir de zircônia, por outro lado, não se corroem.

O titânio tem sido muitas vezes chamado de "biocompatível", mas dados recentes mostram que a alergia ao titânio tem vindo a aumentar.

Isto pode estar a ser causado pelo uso frequente do pigmento branco de dióxido de titânio (E171) em cosméticos, dentifrícios, protetores solares e alimentos.

Também compõe o revestimento branco de muitos medicamentos na forma de comprimido e também de suplementos.

O problema é que o teste mais utilizado para o diagnóstico de alergia a metais – o teste por contacto dérmico, o patch testing - não está devidamente desenvolvido para testar corretamente a alergia ao titânio e, portanto, a maioria mostra um resultado negativo.

Agradecemos muito à Professora Vera Stejskal a amabilidade de responder às nossas questões.