Disruptores endócrinos – um perigo para a sua saúde

Bem Estar Entenda como disruptores endócrinos podem ser um perigo para à saúde, veja como essa molécula pode ser absorvida pelo organismo.
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As hormonas são fundamentais para um adequado funcionamento do nosso organismo.

Atuam como mensageiros que levam as ordens aos diferentes órgãos, sendo através das hormonas que o nosso organismo faz chegar as diferentes instruções aos tecidos.

A insulina, o estrogênio ou as hormonas tiroideias são apenas alguns exemplos de hormonas.

Um disruptor endócrino é uma molécula exterior ao organismo (normalmente um composto químico sintético), que é capaz de alterar o funcionamento das nossas hormonas.

Um disruptor endócrino interfere com a ordem que a uma determinada hormona era suposto dar, interferindo assim no complexo sistema de comunicações do nosso organismo.

Dada a complexidade e a diversidade de funções de diferentes hormonais, as consequências são diversas: infertilidade, obesidade, cancro, interferindo ainda no desenvolvimento intrauterino, alterando o desenvolvimento cerebral, hormonal e sexual do futuro bebé.

Os disruptores endócrinos estão presentes em plásticos, embalagens, agrotóxicos (como os pesticidas), perfumes, ambientadores, produtos de limpeza, cremes e muitos outros compostos que nos rodeiam.

Isto significa que todos os dias podemos estar a absorver estes compostos no ar que respiramos, nos alimentos que consumimos ou nos cremes e produtos que colocamos na nossa pele.  

Apresentar ou não as consequências descritas passa então a ser um jogo de sorte ou azar, pois depende do grau de exposição (se elevado ou reduzido), da associação entre compostos ingeridos (por vezes a absorção conjunta de 2 compostos pode ter um efeito bem mais intenso do que apenas a soma de efeitos), o nosso perfil genético (maior ou menor susceptibilidade) e por fim, do momento da nossa vida a que somos expostos, havendo fases de maior vulnerabilidade.

Aparentemente, os períodos mais críticos são a gestação e os primeiros anos de vida, e  alguns destes efeitos manifestam-se apenas muitos anos depois.

Os efeitos destes disruptores endócrinos têm ainda a capacidade  de induzir alterações que podem ser transmitidos à geração seguinte, pois são capazes de induzir alterações na forma como alguns genes são expressos (chamadas alterações epigenéticas).

Bisfenol A (BPA):

Este é possivelmente o disruptor endócrino mais conhecido, e interfere principalmente com a comunicação do estrogênio. Presente em muitos compostos plásticos, facilmente entra no nosso organismo quando consumimos alimentos (em especial alimentos como algum teor de gordura) que tiveram contato com plásticos que contenham bisfenol A.

Ftalatos:

Os ftalatos são um conjunto de moléculas sintéticas utilizadas para tornar os plásticos mais flexíveis, e no organismo parecem alterar a função das hormonas tiroideas.

Podem ser encontrados em diferentes materiais, desde compostos usados em decoração e construção de casa, interiores de carros, vestuário, cosmética, aparelhos dentários, materiais de limpeza, inseticidas, alimentos processados, verniz de unhas, sprays para o cabelo ou desodorizantes.

Com o calor estes compostos tendem a libertar-se com maior intensidade.

Lembra-se do cheiro do carro (especialmente os novos) quando entra, depois deste ter estado ao sol? Pois é melhor não respirar, pois muito provavelmente está repleto de ftalatos libertados pela ação do calor – é por isso fundamental deixar arejar o carro antes de entrar.

A União Europeia já tem vindo a proibir alguns destes compostos, nomeadamente nos brinquedos destinados a  serem colocados na boca das crianças com menos de 3 anos, e desde 2005 que estão proibidos na generalidade dos brinquedos e artigos de puericultura.

Poluentes orgânicos persistentes (POP´s), pesticidas, PCB`s,  parabenos estão também na lista de compostos com efeito de disrupção endócrina.  A União Europeia está a estudar este assunto, e a Organização Mundial de Saúde também está atenta numa tentativa de proteger os consumidores.

Mas o grande problema é que anualmente são produzidas diversas moléculas novas e, exceto no caso das usadas como medicamentos, raramente são efetuados estudos sobre o impacto destas moléculas na saúde humana, ou mesmo se este novo químico vai aumentar o efeito de outro já presente no ambiente.

O que podemos fazer?

  • Evitar o mais possível o consumo de alimentos processados;
  • Preferir alimentos, perfumes, cremes e detergentes de produção biológica;
  • Evitar inalar cheiros de detergentes, ambientadores, ou outros produtos sintéticos com cheiro.
  • Quando entrar num carro deixado ao sol (em especial nos carros novos) deixar arejar e só depois entrar.
  • Não colocar comida quente em plásticos
  • Evitar comprar comida com algum teor de gordura (em especial carne) em contacto com recipientes plásticos.

Cabe a nós como consumidores fazer as melhores escolhas, pois se os outros produtos deixarem de ser consumidos, deixam também de ser produzidos.