Diferentes em tudo mas Iguais em dignidade

Sustentabilidade Imagina se fossemos todos iguais? Não iria ser tão bom quanto parece, entenda mais sobre esse assunto de igualdade aqui.
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Imaginemos um mundo feito de iguais. Iguais por dentro, iguais por fora. Iguais no ser, no dizer, no fazer, no pensar. Iguais na cor, iguais no olhar. Iguais. O que faríamos? O que pensaríamos? Que seres seríamos? Não sabemos. Mas sabemos que humanos não seríamos.

Ser homem é ser com o outro. O outro. Esse ser, simultaneamente uma necessidade e um constrangimento. Necessidade, porque apenas nos fazemos com ele; constrangimento, porque nos limita.

Porque, simultaneamente, nos faz olhar para dentro e para fora. De nós. Porque nos faz descobrir a indispensabilidade do eu e do outro. Diferentes. Faces do mesmo rosto. O humano.

A diferença faz-nos únicos. Distintos. Incomensuráveis. Semelhantes, também. Uns mais do que outros.
 
Os gémeos mais do que os irmãos não gémeos, os humanos, entre si, mais do que com os não humanos, animais, plantas, rochas. Semelhantes, não iguais. Semelhantes porque diferentes.

Diferentes porque humanos: frágeis, limitados inacabados. Em construção. Uns com os outros. A precisarmos uns dos outros. Porque somos diferentes.

O que procuraríamos nos "outros” se fôssemos iguais? (Em rigor, o "outro” não teria sentido num mundo de iguais. O igual não é o outro. O igual é um clone de si mesmo).

Nada procuraríamos porque sabíamos que nada encontraríamos. O que um teria, o outro teria também. Éramos iguais e, na igualdade, sepultaríamos a diversidade de modos de ser, pensar, dizer e fazer que nos fazem o que somos.

Diferentes. Semelhantes. Semelhantes mas diferentes. A caminho. Fazendo-nos a caminhar. Uns com os outros. Por onde? Para onde? Com quem? Por quem? Para quem? Uns com os outros, pelos caminhos que fizermos nos passos que dermos.

A igualdade elimina-nos. Faz-nos não diferentes. In-diferentes. E, nessa indiferença, afasta-nos de nós. Afasta-nos da nossa essencial dimensão relacional. Comunicacional.

Afasta-nos da fala, que Heidegger dizia ser o que nos faz humanos. Do espanto contra a indiferença. Da diferença contra a passividade. (Eis a razão porque o ditador abomina a diferença e a democracia se alimenta dela: o ditador quer um mundo de iguais (a si, já se vê), e, por isso, passivos na sua in-diferença;

a democracia nasceu e alimenta-se da diversidade de ideias, de projectos, de modos de ser, de pensar, de dizer e de fazer.

O ditador, na busca da uniformidade, elimina a diferença; a democracia, para que o seja, faz da diferença o seu princípio essencial: sem a diferença, sem o respeito pela diferença não há democracia).

A diferença eleva-nos à condição de seres éticos. Impõe-nos o respeito, a solidariedade, a tolerância, a liberdade como valores fundantes da nossa humanidade. Dignos de nós. Dignos dos outros. Atingiremos, então, à maneira kantiana, a dignidade de pessoas. E seremos iguais. Em dignidade.