Dieta sem glúten: uma opção alimentar para além da doença celíaca

Alimentação Crie habitos de fazer uma boa alimentação sem glúten e melhore sua qualidade de vida.
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Há cada vez mais pessoas a adoptarem uma dieta sem glúten.

Aquela que era apenas uma dieta obrigatória para todos os que têm doença celíaca é neste momento uma opção alimentar para um número cada vez maior de pessoas.

Redução de diferentes queixas gastrointestinais, auxílio na perda de peso, diminuição de processos inflamatórios diversos, melhoria de patologias auto-imunes.

Melhoria cognitiva e de algumas alterações neurológicas, ou mesmo melhoria de sintomas comportamentais em patologias como o autismo ou a esquizofrenia são alguns dos benefícios apontados.

Mas haverá uma explicação científica para tal? Ou será apenas efeito placebo?

Comecemos por referir que o glúten não é essencial à vida, nem os alimentos que o contêm são fonte de nutrientes insubstituíveis, pelo que pode ser removido da dieta sem qualquer prejuízo para a saúde.

A parte mais complicada de se fazer uma dieta sem glúten é a  falta de adaptação da quase totalidade dos estabelecimentos que fornecem refeições (em especial pequenas refeições).

Da falta de conhecimento por parte de um grande número de  manipuladores de alimentos, e da menor diversidade de produtos alimentares disponíveis .

É isto que torna difícil o consumo de uma dieta sem glúten, e que dificulta a compra de produtos alimentares em diferentes estabelecimentos.

Doença celíaca

Esta doença auto-imune já tem reconhecimento por parte da comunidade médica, e possuiu critérios de diagnóstico específicos.

Mas apesar disso há indivíduos que só vêm o seu diagnóstico estabelecido depois de bastante tempo com diferentes queixas, nem sempre intestinais.

Sensibilidade não celíaca ao glúten

Um número crescente de indivíduos tem iniciado um dieta sem glúten e apresentado melhorias em diferentes sintomas, que vão desde enxaquecas.

A síndrome de cólon irritável ou outras queixas gastrointestinais, dores articulares, perturbações neurológicas, a sintomas depressivos ou comportamentais como os observados no autismo ou mesmo esquizofrenia.

Apesar da grande maioria da classe médica e de nutricionistas/dietistas ainda achar que se trata apenas de efeito placebo.

A verdade é que cada vez mais alguns destes profissionais têm vindo a dar razão a estes pacientes.

E diferentes artigos científicos têm suportado, quer as queixas associadas com a ingestão de glúten, quer as melhorias com a sua remoção.

O diagnóstico atual para esta situação clínica é a sensibilidade não celíaca ao glúten. Nesta situação clínica, o sistema imune continua a atacar as proteínas contidas no glúten.

Desencadeando uma resposta inflamatória que pode ser localizada, originando diferentes queixas gastrointestinais, ou pode ser mais generalizada, influenciando diferentes órgãos, sistemas ou estruturas.

Esta reação imunitária pode ser, não à estrutura proteica da gliadina (um dos componentes proteicos do glúten), mas a fragmentos mais pequenos.

Infelizmente são muito raros os laboratórios que testam a produção de anticorpos contra estes "fragmentos de glúten”, sendo por isso difícil conseguir uma confirmação laboratorial.

O que se sabe é que, enquanto a ingestão de glúten se mantiver, os diferentes sintomas também se mantêm.

A melhor forma de saber é mesmo a exclusão dos alimentos com glúten.

Em situações como o autismo ou mesmo em casos de compulsão alimentar por alimentos com glúten.

A digestão incompleta do glúten poderá originar a formação de compostos opióides (gluteomorfinas)  que são capazes de interferir com o funcionamento cerebral e induzir adição (pode ver mais informação aqui).

E se for apenas efeito placebo?

Com o que já se sabe atualmente, na quase totalidade dos casos não se trata de efeito placebo.

Mas imaginando que para uma parte das pessoas é mesmo uma "moda” ou efeito placebo, qual o problema destes indivíduos adoptarem uma dieta sem glúten?

Seremos todos obrigados a consumir glúten caso não tenhamos uma doença celíaca? Não me parece.

É uma escolha do próprio evitar os cereais com glúten, e optar por opções sem glúten.

Se um individuo se sente melhor com essa opção alimentar, e caso a sua alimentação seja equilibrada e repleta de nutrientes importantes, não me parece que seja um problema optar por uma dieta sem glúten.

Pois mais uma vez, o glúten e os cereais que o contêm não são fundamentais à vida, ou mesmo essenciais para garantir uma alimentação equilibrada.