“Debaixo do Vulcão” de Malcolm Lowry

Bem Estar Conheça um pouco mais sobre Malcolm Lowry, escritor que fez sua obra prima da literatura através da bebida.
Você vai ler:

Em literatura é difícil pensar em intoxicação sem que a cabeça derive para Malcolm Lowry.

Autor para quem o abismo surgia diariamente ao espelho, Lowry tinha tanto de gênio como de perdido.

Mas o espantoso em Lowry não é a sua capacidade para viver bêbado (chegava a beber perfume, álcool etílico, aftershave, etc.), mas que o fizesse com quase a mesma dedicação quanto escrevia.

Lowry era escritor de uma ponta à outra, não conseguia entrar numa taberna e beber até "cair para o lado” sem sair com, pelo menos, 4 folhas escritas de notas para livros.

De tal forma que quando morreu aos 47 anos, com overdose de álcool e comprimidos, todos desconfiaram de homicídio – Lowry seria incapaz de se suicidar sem, pelo menos, escrever exaustivamente sobre isso.

Autor de poucas obras publicadas em vida, "Debaixo do Vulcão” é, indiscutivelmente, a sua obra-prima, uma obra de génio, um louvor à literatura, ao amor, ao México e, claro está, às bebidas brancas mexicanas, com destaque para o mescal.

Mas quem julgue ser este um romance que louva o álcool, desengane-se.

Se é verdade que se avança no texto com a sensação estonteante de se estar embriagado, a verdade é que por detrás da história de amor desesperançado seguimos a queda e descida ao inferno do ex-funcionário do consulado britânico no México, Geoffrey Firmin.

Oculta desta história, encontra-se toda uma outra obra magistral com um grau de complexidade simbólica extremamente abrangente tanto literária como culturalmente.

O livro tem tanto de simples como de complexo: segue o dia da morte de Geoffrey Firmin, na recriada cidade de Quauhnahuac (por todos identificada com Cuernavaca, México) durante o dia 2 de novembro de 1938 (Dia de los Muertos).

Firmin, desesperado pelo regresso da sua ex-mulher, afunda-se capítulo a capítulo, cronologicamente, hora a hora, ao longo de um dia que termina tragicamente; com ele acompanhamos os excessos e o caos interior de uma personagem destruída, incapaz de viver sem amar.

Uma obra dedicada ao amor e ao abismo da autodestruição, mas mais particularmente, às circunstâncias que podem levar ao fim da alma.

Acima de tudo, é uma obra que nos ensina muito sobre a alma humana e sobre a nossa relação com o álcool. Se alguns escritores ficaram famosos por abusar do álcool, só Lowry foi capaz de escrever verdadeiramente sobre ele.

Caso fique com alguma dúvida, vejam este documentário sobre o escritor e a obra, ou vejam o filme realizado por John Huston . Mas, acima de tudo, e em especial pela poderosíssima capacidade e riqueza literária de Lowry, leiam o livro.