Colheitas de Outono para uma alimentação saudável

Alimentação Conheça as colheitas de Outono, uma forma de agricultura biológica; sua prática é, quase livre de componentes químicos.
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Quanto a resíduos de pesticidas nos alimentos convencionais em geral, em Portugal os dados são melhores que os europeus quanto à percentagem de amostras com resíduos, mas piores no que diz respeito às amostras que excederam o limite máximo de resíduos de pesticidas (LMR) permitido por lei.

Vendo mais de perto para o caso dos frutos frescos, verifica-se que alguns dos alimentos analisados têm muito mais resíduos que outros, o que resulta das práticas fitossanitárias seguidas, desde os tratamentos no campo, até aos que são feitos à entrada da câmara frigorífica.

No caso das maçãs, em três anos de análises, foram encontrados 20 pesticidas diferentes, com maior frequência para o inseticida organofosforado clorpirifos, que é muito utilizado na fruticultura convencional e na produção "integrada”, apesar de muito perigoso para a saúde e para os insetos auxiliares.

Nos alimentos de agricultura biológica podem ocorrer resíduos de pesticidas químicos de síntese nas seguintes situações:

  • contaminação ambiental (caso da água de rega);
  • contaminação acidental (caso dum tratamento numa parcela contígua de outra exploração em agricultura convencional);
  • aplicação voluntária fraudulenta.

No entanto a sua presença não deve ser autorizada pelos organismos de certificação, ou seja, devem ser excluídos do mercado biológico.

Podem ainda ser encontrados resíduos dos pesticidas autorizados, embora só com alguma frequência o cobre e o enxofre, visto que quase todos os outros, de origem vegetal ou microbiológica, têm uma persistência muito curta, não deixando resíduos no alimento.

Neste caso e desde que abaixo do LMR, a certificação mantem-se.

Para conseguir-mos maçãs sem resíduos, na produção biológica aposta-se na prevenção, a começar pela plantação de variedades mais resistentes às doenças.

É o caso de algumas variedades tradicionais e de outras mais modernas obtidas por cruzamentos entre diferentes macieiras, em que uma delas era resistente à doença que se pretende combater, normalmente o pedrado (Venturia ineaqualis) que é a mais importante e que em variedades sensíveis pode levar por ano mais de 10 tratamentos fungicidas.

Há ainda variedades comerciais que não foram obtidas com esse objetivos mas que apresentam alguma tolerância à doença.

Destacamos as seguintes variedades com tolerância ou resistência ao pedrado e que devemos dar prioridade na próxima plantação de Inverno:

  • variedades tradicionais: Bravo de Esmolfe (originária da aldeia com o mesmo nome), Pero Pipo (também chamada de Pipo de Basto nos Viveiros Albar em Fânzeres), Pardo Lindo (a maçã preferida de Eça de Queiroz), Tromba de Boi (originária da terra do leitão e difícil de encontrar em viveiro), Reineta parda (também conhecida por Cinzenta do Canadá);
  • variedades resistentes, vermelhas: Florina (também conhecida por Querina e obtida em França nos anos 70, Prima (USA), Summerfree (Itália), Topaz (Rep. Checa),
  • variedades resistentes, amarelas: Golden Orange (Itália), Goldrush (USA);
  • Variedades comerciais (algumas tradicionais nos seus países de origem): Fuji , Granny Smith.

Dada a dificuldade em encontrar plantas de algumas destas variedades, deixamos aqui os nomes dos viveiristas que têm algumas delas:

  • Variedades tradicionais: Viveiros Albar (Gondomar), Viveiros Castromil (Paredes), Viveiros Dinis (Monchique);
  • Variedades comerciais: Viveiros Plantinova (Caldas da Rainha).

Boas plantações, para o quintal biológico!