Colheitas de inverno: cenouras e outras apiáceas

Alimentação Conheça a família da apiáceas, que são plantas tipo a salsa, o cominho e a erva-doce, que são colhidas no inverno.
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A família das apiáceas (Apiaceae) era há alguns anos atrás conhecida como a das umbelíferas (Umbelliferae). Inclui 250 géneros botânicos e 2.800 espécies, sendo as espécies cultivadas cerca de 30 culturas hortícolas e interesse alimentar, condimentar, e medicinal.

Destacamos aqui a cenoura (Daucus carota subsp. sativus), com especial referência a uma das raras variedades portuguesas.

A cenoura é originária da Ásia central (Afeganistão-Turquestão) e era já conhecida na Grécia antiga e em Roma. Mas não tinha na época tanta importância como a pastinaca.

O seu cultivo passou a estar bem documentado no séc. X (Irão, Arábia), no séc. XII na Península Ibérica e no séc. XIV na Europa central e até essa altura as variedades cultivadas eram púrpuras ou amarelas.

As variedades "cor de cenoura” só apareceram documentadas na Holanda entre os séculos XVI e XVII.

A cenoura é de cultivo algo difícil em agricultura biológica (sem herbicidas), pela dificuldade em controlar as ervas, dado o lento crescimento inicial, bem mais lento que o da maior parte das ervas infestantes.

Há no entanto maneiras de reduzir a competição e de melhor eliminar as ervas sem destruir a cultura.

Fazer uma falsa sementeira, preparando a terra, regando e deixando germinar as primeiras ervas, raspando-as depois mexendo o menos possível na terra, ou até usando a monda térmica, é uma das práticas aconselháveis.

Semear depois em linhas afastadas pelo menos 20cm para se poder sachar com um sacho de lâmina de raspar é outra técnica recomendada.

Para a reprodução devemos deixar a raiz na terra escolhendo as cenouras que nos pareçam de melhor qualidade, para que deem flores agrupadas em umbelas e depois a semente.

Não convém ter mais de uma variedade em flor na mesma horta, pois elas terão tendência a cruzar-se.

A capacidade germinativa da semente mantém-se por 3 anos em boas condições de conservação (bem secas à sombra, fechadas depois em frasco de vidro, e guardadas ao abrigo da luz em local fresco).

Na qualidade nutricional e considerando 100g de parte edível da raiz, destacam-se a fibra (2,8%), as vitaminas, A (16800 UI), tiamina (0,066mg), riboflavina (0,058mg), niacina (0,983mg), C ou ácido ascórbico (5,9mg), B6 (0,138mg), e ainda os minerais, potássio (320mg), cálcio (33mg), fósforo (35mg), e magnésio (12mg).

A pastinaca, ou chirivia (Pastinaca sativa), que ainda tem alguma tradição de cultivo e consumo em Portugal na região do Fundão, foi muito utilizada pelos gregos e pelos romanos.

Antes da descoberta da batata na América de Sul, era uma das bases da alimentação dos povos europeus. A semente só dura um ano pelo que deve semear-se todos os anos ou então deixá-la germinar depois de a planta-mãe a deitar à terra.

Este legume consome-me principalmente em Inglaterra e, em menor grau, nos países do Norte da Europa e da América do Norte.

Merece no entanto lugar numa horta biológica, quer pelo valor nutricional quer pela rusticidade e resistência a pragas e doenças. Há no entanto um fungo que em zonas mais húmidas e já na fase de floração pode atacar com intensidade – o oídio – que deve ser tratado com polvilhações periódicas de enxofre flor.

Quanto ao valor nutricional e considerando 100g de parte edível da raiz, destacam-se, a fibra (4,9%), as vitaminas, tiamina (0,09mg), riboflavina (0,05mg), niacina (0,70mg), C ou ácido ascórbico (17,0mg), B6 (0,09mg), e ainda os minerais, potássio (375mg), cálcio (36mg), fósforo (71mg), e magnésio (29mg).

Note-se que em vários destes parâmetros a pastinaca ultrapassa a cenoura.

Terminamos com uma apiácea que deu o nome à família e que pode ser usada também como condimentar e medicinal, o aipo (Apium graveolens).

É de origem mediterrânica sendo utilizado pelos povos antigos (egípcios, gregos, romanos) mais como planta medicinal, incluindo a própria semente que terá sido usada na preparação de múmias.

O cultivo e o consumo como hortaliça começou em Itália no séc. XVI. O aipo verde de folha é dos mais rústicos e propaga-se bem mesmo sem ser semeado. Basta deixar cair as sementes duma planta que deixamos florir e dar semente.

Quanto ao valor nutricional e considerando 100g de parte edível da folha, destacam-se, a fibra (1,6%), as vitaminas, A (449UI), tiamina (0,021mg), riboflavina (0,057mg), niacina (0,320mg), C ou ácido ascórbico (3,1mg), B6 (0,074mg), e ainda os minerais, potássio (260mg), cálcio (40mg), fósforo (24mg), e magnésio (11mg).