“Colesterol, quanto mais baixo melhor” – não alinhe nessa moda!

Bem Estar O que é o colesterol e quais suas funções? Ele é um inimigo a se abater? Venha entender mais sobre ele.
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Estamos a assistir, nas últimas décadas, a uma diabolização do colesterol. 

A ideia que se sublinha, com muito vigor em cada oportunidade, é a de que o colesterol é um perigo para a saúde e se deve combater sem tréguas.

O lema em moda é "o colesterol deve estar baixo, quanto mais baixo melhor”.

Ora esta é uma moda para cujas consequências ouviremos lançar alertas, muito consensuais, daqui a alguns bons anos (quando passar de moda) mas cujos efeitos nefastos muitas pessoas estão já a sentir na sua saúde, sem terem disso consciência.

As funções do colesterol – mais importantes do que imagina!

O colesterol é produzido em todas as células. É usado para manter a integridade, a flexibilidade e a fluidez das membranas celulares.

A flexibilidade e fluidez das membranas celulares são dispensáveis para um correto funcionamento da célula, da sua interação com o organismo no seu global e na resposta celular aos mediadores da comunicação entre as células – hormonas, neurotransmissores, sistema imunitário, nutrientes, etc.

De realçar o papel do colesterol na biossíntese da mielina, uma substância constituinte das membranas das células cerebrais.

O colesterol é produzido pelas células do fígado em maior quantidade. O colesterol faz parte da composição da bílis que é lançada para o intestino, onde ajuda na digestão das gorduras alimentares e participa na absorção das vitaminas lipossolúveis: A, D, E e K.

O colesterol é a substância a partir da qual:

  • A nossa pele produz vitamina D, quando exposta ao sol.
  • As glândulas supra-renais produzem cortisol e adrenalina, permitindo-nos ter a resposta adequada ao stress.
  • São produzidas as hormonas sexuais: estrogénio, progesterona e testosterona.

O colesterol tem capacidades antioxidantes, ajudando na defesa celular do stress oxidativo. 

Ainda acha que o colesterol é um inimigo a abater?

Colesterol  & Doenças cardiovasculares – o mito!

O colesterol elevado, como um risco de doença cardiovascular, não reúne o consenso de todos os especialistas.

De facto, não tem sido possível encontrar evidência científica que mostre, de forma clara, que ter o colesterol elevado, só por si, aumenta a incidência de doenças cardio-vasculares.

Há mesmo estudos que o contradizem.

Um debate intenso, e que se tem tornado e apaixonado, foi lançado, em 2000, pelo médico e investigador sueco, Uffe Ravnskov, MD, PhD com a publicação do seu livro The Cholesterol Myths.

Neste livro o autor mostra a falácia da prevenção cardiovascular centrada na diminuição do nível de colesterol, mostra que baixar o colesterol não diminui a incidência de doenças cardiovasculares e descreve os perigos para a saúde decorrentes de ter o colesterol demasiado baixo.

E o Dr Uffe Ravnskov não está sozinho. 

Na organização THINCS um amplo conjunto de médicos e cientistas, de todo o mundo, mantém atualizada uma informação aberta e cientificamente fundamentada que defende o papel do colesterol e da ingestão de gordura saturada na manutenção da saúde.

Bem como dos riscos da terapêutica injustificada com "statinas”, os fármacos usados para baixar o nível sanguíneo do colesterol.

Aterosclerose – só quando o colesterol está oxidado!

A formação da placa de aterosclerose, na parede interna das artérias, é iniciada com moléculas de colesterol oxidado.   

Se o colesterol não estiver oxidado não participa na cascata de acontecimentos bioquímicos que termina na formação da placa de arteriosclerose.

Para a eficaz prevenção cardiovascular urge mudar a perspetiva de como olhamos para o colesterol: o risco de aterosclerose é ter colesterol oxidado não o seu seu nível sanguíneo.

Portanto, devemos prevenir e corrigir o stress oxidativo do organismo, para minimizar e controlar a oxidação do colesterol.

Hipercolesterolémia familiar – um perigo real para tratar de forma continua!

Há famílias com um perfil genético que provoca o aumento do nível de colesterol para valores muito elevados, habitualmente acima de 300 mg/dl, e desde idades muito jovens, por vezes desde a infância. É a hipercolesterolémia familiar!

Nestas famílias há uma elevada incidência de doenças cardiovasculares.

Estas são as pessoas que devem fazer medicação e monitorização permanente do seu nível de colesterol sanguíneo, como forma de minimizarem os riscos acrescidos associados ao seu perfil genético.

Nível de colesterol no sangue – valores & interpretação

Atualmente o consenso internacional considera:

  • Elevado: acima de 240 mg /dl
  • Limítrofe: entre 200 mg/dl e 239 mg / dl 
  • Desejável: inferior a 200 mg / dl.

Ora é esta última frase que levanta muita preocupação. 

Se 200 mg/dl de colesterol pode ser um nível que, na maioria das pessoas, permita um funcionamento equilibrado do seu organismo, já ter menos que 180 mg/dl de colesterol torna quase impossível manter equilibradas todas as funções orgânicas que dependem do colesterol.

Se quer zelar pela sua saúde mantenha o seu colesterol em valores entre 200 mg/dl e 240 mg/dl e proteja-se do stress oxidativo!