Celulite: O pesadelo das mulheres

Bem Estar Entenda o que são celulites e o que fazer para prevenir e amenizar as indesejáveis celulites.
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O termo celulite teve origem na literatura médica francesa há mais de 150 anos, e não é considerado um termo adequado, pois não se trata de uma inflamação ou infeção do tecido subcutâneo, e nem chega a ser considerado uma verdadeira doença por não constituir um verdadeiro risco para a nossa saúde.

Além disso, alguns autores consideram-na como uma expressão normal e fisiológica da adiposidade feminina, ou seja, é perfeitamente normal tê-la.

Se por um lado, a definição está de certa forma correta, dado que não existem relatos de morbilidades ou qualquer mortalidade associada a esta situação clínica, por outro faz-me pensar que quem disse isto pode não ter entendido a verdadeira dimensão que este problema pode adquirir.

Só uma mulher com celulite consegue ter a noção do impacto psicológico de determinadas imagens: o efeito das luzes fluorescentes sobre a zona afetada (por alguma razão algumas lojas de roupa já mudaram o tipo e a localização das luzes para nos evitar essa experiência que pode ser traumática).

O aspeto de alguns tecidos e cores das roupas sobre esta zona crítica, e os receios inerentes quando estas zonas corporais vão estar visíveis aos olhos de terceiros, como numa praia ou num balneário.

Apesar de cada vez mais mulheres se sentirem confortáveis na sua pele, o mesmo não acontece para tantas outras.

Lutar contra as imagens dos padrões atuais de beleza, muitas delas obtidas com tratamentos de imagem e diferentes truques, e que não correspondem à imagem da grande maioria das mulheres é sem dúvida um desafio, em especial nas adolescentes.

A aceitação da imagem corporal pode tornar-se um verdadeiro problema com diferentes consequências a nível da saúde e da relação com os outros.

O que é a celulite?

Apesar de se tratar de uma indústria que move milhões, a verdade é que não existem tantos investidores dedicados à causa, mas existem alguns estudos de revisão.

A celulite é quase exclusivamente um problema feminino e tem início na puberdade, quando os nossos níveis de estrogénio começam a subir.

Talvez dada a quantidade de xenoestrogénios ambientais, se possa começar a verificar este aspeto casca de laranja nos homens e nas crianças do sexo feminino antes de chegarem à puberdade.

Sabe-se que não é apenas a obesidade a causar esse aspeto de casca de laranja, pois a celulite está presente no corpo de muitas mulheres com peso e massa gorda dentro dos parâmetros considerados normais.

O excesso de peso e obesidade agravam o problema, sem dúvida, mas não o provocam. A perda de peso pode atenuar ligeiramente o aspeto casca de laranja, mas não o faz desaparecer, e não altera os processos fisiológicos que condicionam o seu aparecimento.

Mas uma coisa é certa, em caso de excesso de peso, a perda de massa gorda deve ser, sem dúvida, o primeiro passo a tomar.

Celulite: explicações teóricas

As diferenças estruturais do tecido subcutâneo entre homens e mulheres, e a forma como depositamos gordura a nível subcutâneo são duas das razões apontadas.

As mulheres têm mais propensão a acumular gordura subcutânea, e a estrutura do seu tecido conjuntivo em redor das células gordas é diferente da dos homens.

Com os estrogénios a "dirigirem” os nosso excessos calóricos para esta zona, e uma estrutura do tecido conjuntivo que não aguenta tão bem este aumento de volume.

Faz com que a gordura das mulheres deixe de estar arrumada de forma uniforme, e passe a formar pequeno altos, visíveis a nível da pele, condicionando o aspeto característico de casca de laranja.

Há medida que os anos passam, esta estrutura de tecido conjuntivo passa a perder ainda mais firmeza, e o aspeto de celulite acentua-se.

O papel da retenção hídrica, dificuldades de circulação e menor drenagem linfática são também aspetos considerados por diferentes autores.

Aparentemente, o aumento da produção de GAG´s pelos estrogénios, a maior retenção hídrica condicionada por eles e pela acumulação tóxica, dificultam a microcirculação sanguínea e linfática.

O que agrava ainda mais a acumulação tóxica, a retenção hídrica e causa uma maior dificuldade em mobilizar as calorias acumuladas nestas células gordas.

O que por sua vez dificulta ainda mais a microcirculação sanguínea e a circulação linfática – um verdadeiro ciclo vicioso que associado à menor firmeza dos tecidos, relacionada com a idade, vão tornando esta situação cada vez mais visível a olho nu.

O que fazer?

  • Caso tenha excesso de massa gorda, emagrecer para que o nosso organismo tenha necessidade de vir buscar estas reservas. Saiba mais neste texto dedicado a esta forma feminina de acumulação de gordura;
  • Exercício, exercício, exercício! Gasta calorias, otimiza a circulação sanguínea e a drenagem linfática.
  • Beber muita água para facilitar a eliminação de compostos tóxicos;
  • Garantir um adequado funcionamento intestinal, e corrigir a hiperpermeabilidade intestinal;
  • Otimizar a desintoxicação tendo uma dieta mais alcalina e um aumento na ingestão de crucíferas como couve flor, bróculos ou a couve de bruxelas;
  • Usar suplementos como o CLA (ácido linoleico conjugado) ou de centelha asiática, e a aplicação tópica de cremes com ácido retinóico (vitamina A) e xantinas (como a cafeína);
  • Massagens e tratamento de endermologia para auxilar na drenagem linfática e otimização da microcirculação sanguínea.