As Mil e uma Noites

Bem Estar Confira as informações da coletânea Mil e uma Noite, uma compilação de várias histórias, mitos e lendas.
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Somos feitos de mitos e lendas, de ideias e conceitos que se agregam algures no vácuo da cabeça para formar o prisma com que vemos o mundo.

Dos mitos antigos aos mitos urbanos, do mito da ciência ao mito da verdade, tudo o que sabemos e fazemos é moldado pelas histórias que aprendemos, pelas morais e ideias que nos forjaram este espelho interior do mundo que cada um de nós tem.

Como muitos disseram, somos fruto da civilização, essa realidade tão pouco natural.

Na sua origem os mitos e lendas nunca foram, na maior parte das vezes, uma ficção criada por um ou dois autores inspirados.

Aliás, nem a literatura atual o é, sendo sempre e somente uma reformulação ou continuação de histórias que outros já contaram, de ideias que outros já tiveram, uma atualização do tempo às histórias e mitos do dia-a-dia real ou irreal.

Dessa forma, muitas das histórias mais antigas chegaram-nos por depuração e passagens para escrito da milenar tradição oral que antecedeu o uso corrente da escrita.

Informação primordial do que moldava a vida e ações de povos hoje já longínquos e miscigenados pela televisão ou pela Internet.

De entre as mais importantes coletâneas de mitos e lendas conta-se As Mil e uma Noites.

Tendo chegado ao ocidente no início do séc. XVIII pela mão de três diferentes traduções, «As Mil e Uma Noites» são a súmula da tradição oral do mundo islâmico Xiíta e pré-islâmico do médio oriente que começaram a ser transcritas e complicadas a partir do séc. IX.

Tendo como referência temporal principal o período imortalizado da dinastia califal abássida de Harun Al-Rashid, as suas histórias imbricam-se no tempo imemorial, onde génios panteístas se misturam com as tradições islâmicas para formar uma cultura muito própria, cheia de magia e ilusão.

Mas não é só de sultões, princesas e ladrões que As Mil e Uma Noites falam.

Sendo uma compilação de várias histórias, de várias épocas, ali podemos encontrar todo o tipo de aventuras.

Das mais pícaras e eróticas às heroicas, das mais realistas às mais oníricas.

De entre elas as mais famosas serão, certamente, a história d’O Rapazinho (Alladdin) e a Lâmpada Mágica, Ali Babá e os Quarenta Ladrões, ou Sinbad, o Marinheiro, história esta proveniente do Índico e extremo oriente que terá viajado para o universo do mundo islâmico através das rotas comerciais marítimas Persas.

Mas não se julgue que este é um livro para crianças. Podendo ser lido para todas as idades, tem muitos episódios merecedores de bola vermelha, começando, logo pela história principal de Sherazade e do príncipe Shariar que, tendo sido traído pela sua esposa (numa cena digna de filme para adultos).

Se vinga das mulheres matando diariamente uma virgem que desflora, com receio de voltar a ser traído, até à entrada em cena de Sherazade, filha do Vizir e voluntaria para a função que, com a ajuda da irmã.

Inicia a contagem das Mil e uma Noites que irá prender noite após noite o Sultão na sua curiosidade de saber o final da história, que, por seu turno, nunca acabará sem antes ter iniciado uma outra história.

Uma obra tão boa que não é aconselhável ler à noite.