As leguminosas por fora e por dentro

Alimentação Entenda o que são luguminosas por dentro e por fora, e ainda descubra as suas diferentes espécie.
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As plantas leguminosas, recentemente classificadas pelos botânicos como fabáceas, são espécies fundamentais, quer pelo seu valor nutritivo, quer pela fixação biológica do azoto em simbiose com a bactéria do género Rhizobium.

A produção agrícola e a agricultura biológica em particular devem fomentar este mecanismo natural como alternativa à síntese química de amoníaco no fabrico de adubo azotado.

Uma reacção que consome muita energia e que torna o "azoto do saco” o factor de produção agrícola mais dispendioso em energia e mais poluente, com muitas emissões de gases com efeito de estufa.

Recentemente chegou-se à conclusão que o fabrico de adubos químicos (azotados e outros) tem uma emissão de gases poluentes quase tão grande como as dos combustíveis nos diversos transportes com motores de combustão.

A cultura de leguminosas pratica-se pelo menos desde a antiguidade egípcia e desde então que se reconhece que estas plantas melhoram o solo.

O grego Teofrasto escreveu que as leguminosas tinham "um carácter regenerador do solo mesmo semeadas bastas e produzindo muito fruto”.

Mas só em 1886 Hellriegel e Wilfarth demonstram que as leguminosas noduladas fixam azoto, ou melhor que as bactérias rizóbio presentes no interior dos nódulos transformam azoto gasoso em amónio (N2 + 3H2 -> 2NH3).

É um processo com resultado semelhante ao da fábrica de amoníaco, mas em que a fonte de energia é mais limpa – os açúcares produzidos pela planta através da fotossíntese.

Na produção industrial, para transformar a molécula gasosa de N2 em amoníaco, é preciso uma temperatura da ordem dos 500ºC e uma pressão de 200 a 400 atmosferas.

Já na fixação biológica a enzima nitrogenase (identificada e isolada em 1966) presente na bactéria, faz o mesmo à temperatura e pressão ambiente.

Existem diferentes espécies de rizóbio que fazem simbiose com diferentes espécies de leguminosas, produzindo nódulos na raiz também diferentes e que não devem ser confundidos com as galhas provocadas por nemátodos, que são doença.

Nos chícharos, ervilhas, ervilhacas e favas, lentilhas, o rizóbio é a espécie Rhizobium leguminosarum bv.Viceae, que é das mais eficientes a fixar azoto.

É por isso que quando semeamos estas plantas não precisamos nem devemos aplicar adubo azotado, seja químico seja orgânico, pois se o fizermos, para além de estarmos a aumentar os custos da produção, reduzimos a fixação biológica de azoto.

É também por isso que quando enterramos as plantas na sua floração para adubar uma cultura seguinte, já não precisamos de aplicar estrume, pois estamos a fazer uma "estrumação” verde, também chamada de adubo verde ou sideração.

O rizóbio é doutra espécie um pouco menos eficiente que o anterior mas melhor adaptado a solos ácidos e arenosos, onde a tremocilha cresce melhor que a fava ou a ervilhaca.

É também pela fixação biológica que se produz o azoto que vai formar as proteínas na planta e em especial nas sementes, algumas delas com possível uso na alimentação humana.

Desta forma, a natureza, e o homem com um cultivo mais ecológico, produzem alimentos mais proteicos que a carne, com muito menor consumo de recuros naturais (solo, água) e de baixo impacte ambiental.