As algas - um fertilizante agrícola tradicional a reutilizar

Sustentabilidade Veja como as algas marinhas podem ser utilizadas como fertilizante agrícola e quais são os benefícios dessa prática.
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Algas não calcárias

Já no século XVII havia registo escrito da apanha com graveta e ganchorra na costa Norte de Portugal.

Esta prática teve grande importância na agricultura da região e permitiu melhorar os solos pobres das masseiras, onde ainda hoje se produzem hortícolas primor.

Nos anos 70 do século 20 esta prática teve forte decréscimo, sendo atualmente poucos os locais onde ainda se pratica – Castelo de Neiva, São Bartolomeu do Mar, Apúlia e Aguçadoura.

Para os mais curiosos a abertura do museu do sargaço permitirá viajar no tempo com esta prática amiga do ambiente.

Mais a Sul, na região de Aveiro, foi também a recolha do moliço na Ria e na Pateira de Fermentelos, prática de grande importância para a agricultura da região, mas infelizmente já abandonada.

Neste caso o que era recolhido incluía, para além das algas, plantas aquáticas de água salgada.

Os barcos moliceiros (bateiras) foram postos de parte e o moliço voltou a eutrofizar as águas, cada vez mais carregadas de nitratos e outros nutrientes provenientes da agricultura e da pecuária intensivas, que antes voltavam para as terras na forma vegetal.

Nos últimos anos têm surgido no mercado fertilizantes líquidos à base de algas, principalmente do género Fucus.

Na agricultura biológica estes produtos têm vindo a ser aplicados em pulverizações foliares como fonte de nutrientes, de hormonas naturais e ainda como estimulante das defesas naturais das plantas cultivadas contra as doenças.

No uso tradicional de algas em bruto aplicadas ao solo, elas devem ser previamente secas ao solo e depois lavadas para retirar o excesso de sal que poderia levar à salinização do solo, afetando a sua fertilidade e as culturas, em especial as mais sensíveis como o feijão-verde.

Algas calcárias

As algas calcárias são algas vermelhas quando vivas e brancas quando mortas.

Trata-se da espécie Lithothamnium calcareum que se foram desenvolvendo e acumulando ao longo de milhares de anos principalmente ao longo da costa francesa atlântica da Bretanha e da Normandia.

Estas algas deixam, quando morrem, um esqueleto calcário, formando grânulos de poucos milímetros de comprimento, que se foram acumulando em aglomerados de vários quilómetros de largura e de comprimento.

Estes depósitos são atualmente explorados para o fabrico de corretivos e adubos.

Mas muito antes da exploração industrial já os agricultores bretões utilizavam estas algas como fertilizante das suas terras, não as algas recolhidas vivas, mas o "esqueleto calcário” acumulado, a que chamaram "maerl”, que quer dizer "adubo do mar”.

Atualmente a preparação industrial e a diversificação de produtos permite melhorar a eficácia da aplicação, na correção calcária, na adubação de cálcio e magnésio e na proteção das plantas contra as doenças.