Agricultura biológica – produtividade e sustentabilidade

Sustentabilidade Veja aqui problemas causados por práticas agrícolas e como melhorar o seu modo de produção com a agricultura biológica.
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O aumento da produção na agricultura convencional é feito geralmente com base numa excessiva intensificação que esgota e polui recursos naturais como a água e o solo.

O que põe em causa a sustentabilidade (ambiental, económica e social) da agricultura.

Os principais problemas ambientais provocados por práticas agrícolas pouco amigas do ambiente são os seguintes:

  • perda de biodiversidade vegetal, nomeadamente das variedades tradicionais (em todo o Mundo perderam-se cerca de 75% das variedades em 50 anos);
  • perda de biodiversidade animal, nomeadamente das raças autóctones de animais domésticos;
  • erosão e poluição do solo;
  • poluição das águas superficiais (rios, lagos e albufeiras), subterrânea (furos) e até marinha, com nitratos, fosfatos, pesticidas e efluentes das suiniculturas;
  • toxicidade dos pesticidas para as pessoas e para outros seres vivos;
  • emissão de gases com efeito de estufa, como o gás metano (efluentes pecuários);
  • esgotamento de recursos de água (subterrânea ou superficial) alterando os ciclos hidrológicos.

Por outro lado o aumento da população mundial mantém alguma pressão sobre a necessidade de manter altos níveis de produtividade.

O grande desafio da agricultura das próximas décadas é conciliar a produção com o ambiente, ou seja, atingir altos níveis de produtividade mas com reduzido impacte ambiental.

A agricultura biológica (também conhecida por ecológica ou orgânica, em diferentes países).

Quando bem praticada consegue atingir boas produções com produtividades que se aproximam das da agricultura "convencional” ou "integrada”.

Uma publicação científica recente (Ponisio et al, 2014) faz uma meta-análise de 115 estudos comparativos dos dois modos de produção, num total de 1.071 observações.

São estudos feitos em 38 países e no seu conjunto abrangem um período de 35 anos.

Este é o trabalho deste tipo mais completo publicado no Mundo até agora e o resultado geral é o seguinte:

Em média para as diferentes culturas, a produção em agricultura biológica é 19,2% (+-3,7%) mais baixa que a convencional (agricultura convencional incluindo a produção integrada).

Este é um valor mais baixo do que se estimava antes.

E nos casos em que, quando só na agricultura biológica eram aplicadas duas práticas agrícolas de aumento da biodiversidade, essa diferença de produtividade era menor:

  • Consociação de culturas (9 %);
  • Rotação de culturas (8 %).

Estes resultados promissores apontam para a necessidade duma experimentação agroecológica que permita melhorar estas práticas em diferentes culturas e condições de produção.

E assim conseguir bons e sustentáveis níveis de produção.

Precisamos pois duma intensificação sustentável na produção de alimentos, de maneira a proteger, usar e regenerar os serviços do ecossistema.

Um bom exemplo dessa intensificação sustentável é o favorecimento da limitação natural de pragas pelos auxiliares, em vez da utilização de inseticidas de síntese química.

Isto pode conseguir-se nomeadamente com a plantação de sebes mistas de árvores e arbustos favoráveis aos auxiliares, em bordadura das culturas e com os enrelvamentos biodiversos.

 A substituição desses serviços do ecossistema traz muitas vezes consequências negativas e inesperadas, caso dos efeitos secundários dos pesticidas em seres humanos e na vida selvagem.

Apesar de "agricultura biológica” e "agricultura sustentável” não serem termos equivalentes.

Os estudos sobre a sustentabilidade de diferentes modos de produção, revelam que, para a maioria (mas não todos) dos parâmetros de sustentabilidade, a "produção biológica” é melhor:

  • maior biodiversidade vegetal e animal;
  • melhor fertilidade do solo;
  • mais eficiente utilização do azoto pelas culturas;
  • maior infiltração da água (com menos escorrência superficial) e maior capacidade de armazenamento;
  • maior eficiência energética.

O estudo atrás referido compara também os dois modos de produção para diferentes grupos de culturas e as diferenças são bastantes variáveis.

Maiores para as hortícolas de raiz e tubérculo (cenouras, batatas, etc.), em que a produção biológica é de cerca de 70% da convencional.

As restantes hortícolas biológicas produzem em média 83% das convencionais, e as menores diferenças foram encontradas nas culturas frutícolas (frutos frescos e frutos secos em conjunto).

Com a produção biológica a atingir cerca de 94% da convencional.

No caso da cultura da cenoura, não é difícil perceber que haja grandes diferenças de produtividade, quando na produção biológica não podem ser aplicados adubos químicos de síntese como fonte de macronutrientes (N-P-K-Ca-Mg-S).

Nem herbicidas para combater as ervas, nem inseticidas ou fungicidas de síntese, ao contrário do que é feito na cenoura de agricultura "convencional” ou da "produção integrada”.

A situação é ainda mais desfavorável nos solos arenosos com baixa fertilidade onde habitualmente se cultiva a cenoura e com fertilizantes orgânicos em geral mais caros que os químicos para cada unidade de nutrientes.

Mas são culturas como estas que, sendo bem feitas em produção biológica, podem gerar maior rentabilidade para o produtor (muito melhor preço) e para o país (grande procura nos países do centro e norte da Europa).

Haja conhecimento e competências para produzir bem e biológico.