A Viagem de Ibn Battuta

Sustentabilidade Conheça a história de um famoso viajante muçulmano do século 14, Iban Battuta explorou diversos lugares.
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Num tempo globalizado como o nosso, onde viajar está ao alcance de um clique no computador, um cartão de crédito e a garantia que falamos inglês e não levamos líquidos para os aviões, é já difícil perceber o significado desta viagem.

O mundo já não é desconhecido e estranho como então.

E o então era a primeira metade do século XIV, num mundo desfeito pela barbárie mongol que devastou toda a Ásia e onde um medroso berbere de 21 anos, glutão e curioso, chamado Abu Abdallah resolve fazer uma peregrinação a Meca.

Ao invés de alguns meses, regressaria anos depois, 24 anos depois mais exatamente, para voltar a partir, regressando finalmente só alguns anos depois, escrevendo as suas memórias.

Entretanto, foram mais de 120.000 km percorridos, o equivalente a 3 voltas ao mundo em linha reta, e uma miríade de histórias, pessoas e locais de fazer espantar o comum dos mortais.

Ao ponto de, durante muitos anos, a esquecerem, por julgarem ser tudo inventado (facto claramente comprovado hoje em dia que não, pela descrição correta de tudo o que se passava, de facto, no mundo, nessa altura).

Sem qualquer dúvida, Ibn Battuta terá sido o mais impressionante viajante de todos os tempos. Para este jovem muçulmano, com fraquezas e defeitos quanto baste, o mundo foi gigantesco e muitas foram as suas vidas.

Do horror, como o vislumbre das cidades do Levante, mortas pela Peste Negra, Bassorá reduzida a escombros por resistir a Genghis Khan.

O todo-poderoso reinado genocida do sultão seljuque Bin Tughluq, de Deli, as caçadas humanas do sultão de Calecute ou os canibais do Vietname, ao espanto pelos cerimoniais.

Otomanos e Bizantinos, à beleza dos pescadores de pérolas do golfo Pérsico (onde descobrimos a versão inicial de um provérbio: «alimentar camelos a tâmaras»).

À descrição do Farol de Alexandria, das pirâmides de Gize, da Catedral de Santa Sofia de Constantinopla, dos túmulos da Pérsia, da cidade de Sal do deserto ou das bibliotecas hoje perdidas de Tombuctu.

As histórias que ele conta registam épocas hoje só imaginadas, mitos como o de king kong (escutado nas ilhas Maldivas), do povo das neves (os Búlgaros do centro da Rússia).

Da gigantesca hárpia assassina do mar da Indonésia (o impressionante fenómeno atmosférico cumulonimbus).

Da travessia pelo Hindu Kush (ou «exterminador de hindus» como ainda a cordilheira é hoje conhecida, por matar quase todos os escravos hindus que por lá passavam).

O espanto por ver, pela primeira vez na Índia uma cama de pernas, na China o papel-moeda − onde foi em missão diplomática e para espiar os segredos da famosa pólvora e da porcelana − entre tantas outras coisas que, na Europa, só muito depois iríamos conhecer.

De entre todas as obras de ficção, nenhuma consegue aproximar-se do espanto que este livro ainda causa em todos aqueles que o lerem, havendo um verdadeiro séquito de adoradores de «A Viagem», de Ibn Battuta.

Descoberto pelo ocidente em 1830, a versão completa pode ser lida hoje em 3 volumes, tanto na língua inglesa, como na francesa, havendo ainda várias versões resumidas da viagem, ou relatando uma ou outra das viagens por ele feitas.

Caso tenham curiosidade, podem sempre espreitar a versão original na Biblioteca Nacional de Paris.