A proposta de classificar o Sistema terrestre como Património Mundial é uma visão puramente antropocêntrica?

Sustentabilidade Saiba mais sobre a classificação do sistema terrestre como patrimônio, e como isso pode ajudar ou afetar a natureza.
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Não corresponderá a proposta de classificar o Sistema terrestre como Património Mundial a uma visão puramente antropocêntrica?

Não. À proposta não está subjacente uma postura ética antropocêntrica, na medida em que não se pretende instrumentalizar o sistema terrestre aos interesses do Homem.

No entanto, a proposta também não decorre de uma visão puramente ecocêntrica, baseada exclusivamente no reconhecimento do valor intrínseco da natureza.

A proposta é essencialmente antropométrica, na medida em que reconhece, pragmaticamente, que o Homem é, de facto, o medidor dos valores e o porta-voz de valores não humanos.

A proposta baseia-se numa ética pragmática que pretende superar os dois "centrismos” e ultrapassar as clivagens das visões éticas.

À pergunta "o equilíbrio dos ecossistemas deve ser preservado porque tem valor em si mesmo ou porque dependemos dele para sobreviver?” respondemos sem hesitar: pelas duas razões.

O pragmatismo ambiental defende que, em vez de se advogarem direitos ou outras legalidades artificiais para a Natureza, se aceite que existem leis físico-químicas, princípios ecológicos e limitações biológicas à atuação humana, ou seja, que há limites naturais à relação do Homem com a Natureza.