A pessoa nos processos energéticos e dinâmicos da vida

Bem Estar Entenda a importância da energia para o corpo humano, além de levar bem-estar físico e mental.
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Teatro e psicologia são dois campos de conhecimento que se ligam numa relação dialéctica a favor do ser humano e do seu desenvolvimento (e.g., Goodman, 1976/2006; Sprinthall,1991; Silva, 2013).

Pensar por isso aliar estas duas áreas de conhecimento com vista à otimização da energia e da vida constitui um desafio na intervenção com o ser humano!

Falar em vida é falar em energia, seja em movimento ou repouso.

Mas o que queremos dizer quando falamos em energia? Onde estão as forças energéticas que fazem pulsar a vida? Como podemos conhecê-las mais profundamente?

A energia, como tantos outros elementos que compõem o funcionamento psicológico humano, pertence ao domínio do invisível.

A energia não se presta à sua observação directa, da mesma maneira que não o fazem as ideias, as emoções, os pensamentos, os desejos, entre muitos outros (Barret, 2009; Damásio, 2003; Izard, 2009; Mahoney, 1991).

O facto de não se deixarem observar directamente, não significa, porém, que estes elementos não existam.

A sua importância é, aliás, sobremaneira conhecida e se a sua existência nos intriga ou inquieta, não devemos deixar de indagar sobre a sua origem.

Dada a sua invisibilidade, para ir ao seu encontro torna-se necessário compreender as suas formas de tradução (Lacan, 1957/1999).

Em primeiro lugar precisamos de perceber os processos e mecanismos que traduzem o invisível em visível e, numa primeira instância, constatamos que este mundo implícito que cada ser humano encerra, manifesta-se constantemente através do corpo (Grotowski, 1968/1975).

O corpo age sempre de acordo com a vida latente (orgânica, emocional, cognitiva) que pulsa dentro de si e tendo em conta a sua percepção do contexto que existe à sua volta.

O corpo manifesta-se através de acções, movimentos, sons, gestos, palavras que constituem uma linguagem de signos explícitos e visíveis com correspondência directa na vida no mundo interior.

O corpo emana estes sinais independentemente da nossa consciência deles e apenas uma investigação cuidada e integrada pode trazer entendimento sobre os seus significados (Ledoux, 2003).

De resto, esta linguagem pode também ser simulada intencionalmente de acordo com a nossa vontade, desde que conheçamos bem os seus processos.

O que acarreta, consequentemente, um melhor conhecimento acerca de nós mesmos e do mundo.

O teatro é uma arte milenar que explora precisamente estes processos não-intencionais para a sua transformação em processos intencionais.

Produzindo de forma contínua um conhecimento progressivo, conducente à autonomia (Konijn, 1995; Silva, Menezes & Coimbra, 2013).

A abordagem teatral propõe a experiência estética, como processo epistemológico de transformação das emoções, comportamentos, pensamentos e contextos de vida.

Um entendimento holístico da pessoa humana que procura criar pontes entre o bem-estar físico e mental: entre a emoção e o pensamento; entre o corpo e a mente; entre o Eu e o Outro.