A limitação natural de pragas ao ritmo da Natureza

Bem Estar Saiba quais são as pragas que atrapalham a produção agrícola, além de causar inúmeros prejuízos nas plantações.
Você vai ler:

Ao ritmo das estações vão aparecendo os insetos e ácaros na horta, alguns para se alimentarem de plantas (fitófagos) e outros para se alimentarem dos primeiros.

O desenvolvimento das populações de inimigos das culturas é antagonizado por diversos organismos, a que chamamos auxiliares, cuja ação, embora frequentemente passe despercebida é, muitas vezes, suficiente para impedir a ocorrência de prejuízos.

Assim, estima-se que, em grande parte devido à ação destes amigos do hortelão, menos de 1 a 2% dos insetos potencialmente nocivos às culturas, se converta em praga.

Pela sua abundância, os insetos incluem-se entre os organismos com maior importância na limitação natural de pragas.

Embora não existam dados rigorosos sobre o número de espécies de insetos auxiliares, admite-se, na base de diversos estudos, que seja muito superior ao das espécies nocivas.

Em função do seu modo de alimentação e atuação, os insetos auxiliares são habitualmente agrupados em parasitóides e predadores, embora a distinção nem sempre seja óbvia.

  • Os parasitóides:

São insetos cujas larvas se desenvolvem total ou parcialmente à custa de um organismo de outra espécie (o hospedeiro) ao qual, depois de completado o seu desenvolvimento, causam a morte.

A dispersão é assegurada pelas fêmeas, que são geralmente aladas e depositam os ovos na proximidade, à superfície ou no interior do hospedeiro.

As larvas, sem patas (ápodas) alimentam-se quer à superfície do corpo deste (ectoparasitóides ou ectófagas), quer no seu interior (endoparasitóides ou endófagas).

Os adultos de muitas espécies alimentam-se de meladas, néctares e pólen e muitos consomem fluídos do corpo do hospedeiro que obtêm perfurando-o com o ovipositor.

  • Os predadores:

São organismos que necessitam de mais de um indivíduo (presa) para completarem o desenvolvimento.

O seu tamanho é geralmente superior ao dos parasitóides.

As presas são procuradas ativamente ou capturadas por meio de armadilhas, mortas de imediato e ingeridas ou sugadas mais ou menos completamente.

Normalmente têm um ritmo de desenvolvimento e um potencial de multiplicação inferiores ao dos parasitóides.

O adulto pode ter o regime alimentar do imaturo ou consumir meladas, néctares ou pólen. Mais de metade das espécies de insetos predadores inclui-se na ordem dos coleópteros.

Outras ordens que merecem particular referência, são as dos: dermápteros, dictiópteros, dípteros, hemípteros, himenópteros, neurópteros e tisanópteros.

  • Os coleópteros:

Têm dimensões que vão de minúsculas a muito grandes e asas anteriores caracteristicamente endurecidas (élitros).

As posteriores são membranosas, e quando em repouso encontram-se dobradas sob aquelas, podendo nalguns casos ser muito reduzidas ou mesmo não existir.

A armadura bucal é trituradora . Entre as famílias com importância da limitação natural de pragas destacam-se as dos: coccinelídeos, carabídeos e estafilínideos.

  • Os coccinelídeos:

Vulgarmente designados joaninhas, são insetos de dimensões pequenas a médias (0,8 a 12 mm), com o corpo oval ou arredondado, mais ou menos convexo.

Os élitros são lisos e brilhantes, quando glabros, ou baços, se revestidos por uma pubescência fina que é, nalguns casos, esbranquiçada.

Frequentemente apresentam manchas de diferentes configurações e cores. Os ovos são geralmente alongados ou ovais, de cor amarela a amarela-alaranjada, apresentando-se em grupos de 20 a 50 unidades.

As larvas são alongadas, fusiformes ou elípticas, com 1 a 10 mm de comprimento, e apresentam a superfície do corpo coberta por placas e tubérculos esclerotizados, formando um revestimento cuja coloração difere de espécie para espécie.

Por vezes a região dorsal apresenta-se coberta por uma exsudação cerosa ou algodonosa.

Em função do regime alimentar preferencial, os coccinelídeos podem agrupar-se em: espécies afidífagas, que se alimentam de afídeos; espécies coccidífagas, que se alimentam de cochonilhas; espécies aleirodífagas, que se alimentam de mosquinhas-brancas e espécies acarífagas, que se alimentam de ácaros.

Nas espécies europeias, os coccinelídeos que se alimentam de afídeos têm, com frequência, élitros de cor vermelha, amarela ou rosa, enquanto os que consomem cochonilhas apresentam em geral cor escura.

As predadoras de ácaros, e aleirodídeos têm pequeno tamanho (menos de 2 mm).

Em Portugal conhecem-se mais de seis dezenas de espécies de coccinelídeos associados a diversas culturas.