A intensificação da agricultura biológica

Bem Estar Veja como a agricultura biológica ajuda o meio ambiente e traz mais saúde às pessoas com os seus processos naturais para o solo.
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A capacidade de alimentar toda a população segundo as práticas da Agricultura Biológica (AB) passa por uma estratégia de produção que se resume a uma nova palavra, a ecointensificação. 

Trata-se da intensificação dos processos naturais dos ciclos dos nutrientes, da estimulação da biologia do solo, através de práticas agrícolas como a compostagem.

A utilização de variedades tradicionais que podem ser semeadas de novo pelo agricultor sem perderem as suas características (ao contrário das variedades híbridas e das transgénicas), a rotação e a consociação de culturas, o arrelvamento e o empalhamento do solo.

Estas práticas fazem aumentar a saúde, a vitalidade e a produtividade dos ecossistemas agrícolas.

A chave do sucesso é trabalhar continuamente com a Natureza e não contra ela. Utilizam-se também mais recursos genéticos (plantas e animais) sem recorrer aos organismos geneticamente modificados (OGM).

A agricultura biológica, ao rejeitar a monocultura, recorre a um maior número de espécies, variedades (vegetais) e raças (animais), com forte componente de variedades regionais e raças autóctones.

Em geral melhor adaptadas às condições locais e que o agricultor pode reproduzir e reutilizar, com menores custos e contribuindo para a conservação do património genético vegetal e animal, um bem de toda a Humanidade e não patenteado.

Nos sistemas agrícolas convencionais industrializados, por cada caloria produzida num alimento são consumidas 7,3 calorias.

A energia gasta inclui os amanhos culturais, o transporte, o embalamento, o armazenamento, etc. A energia gasta em fertilizantes e pesticidas corresponde a 18,36% do total. 

Os nossos antepassados utilizavam melhor a fotossíntese, pois gastavam apenas 1 unidade energética para produzirem 3.

Na agricultura biológica praticada atualmente em Portugal há diversos graus de intensificação, desde as pastagens extensivas que cobrem a maior parte da área certificada, até à horticultura em estufas aquecidas e com predomínio duma cultura mais produtiva.

A cultura de tomate nessas condições é muito produtiva (cerca de 200t/ha ou 20 Kg/m2) e a planta atinge comprimentos superiores a 10m, pelo que tem de ser descida e enrolada em baixo próximo do solo, depois de atingir o topo da estufa.

Entre estes dois extremos temos ainda situações de uma intensificação em maior grau mas com mais biodiversidade. É o caso da produção hortícola mista com parte em ar livre e outra parte em estufa não aquecida e com um grande número de espécies e variedades.

Este último caso (Quinta do Poial / Azeitão-Setúbal) é em Portugal o mais duradouro (cerca de 30 anos), apesar de o solo ter sido antes um pinhal de areias pobres (agora bastante enriquecido em matéria orgânica e vida).

Também é mais fácil neste sistema de policultura resolver os problemas de pragas e doenças, que na maior parte dos casos se resolvem por limitação natural, sem necessidade sequer de recorrer à luta biológica com insetos ou ácaros auxiliares.

Já num sistema mais intensivo e baseado numa só cultura principal, os problemas fitossanitários tendem a agravar-se e a pôr em causa a sustentabilidade da produção.