A eco-intensificação na horta biológica da casa

Sustentabilidade Venha saber mais sobre as hortas biológicas em casa, que estão se intensificando casa vez mais.
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A base para a produção agrobiológica é o solo, a sua fertilidade, o ecossistema envolvente e a respetiva biodiversidade.

O solo é a base da produção e um ecossistema vivo, com muitos organismos em interação com as plantas e com as componentes física (argila, limo, areia) e química (nutrientes solúveis).

O solo, para além da cultura, tem de ser alimentado. Alimenta-se o solo que alimentará a planta.

A fertilidade do solo deve ser mantida e melhorada prioritariamente através dos meios disponíveis na própria horta, principalmente as práticas culturais:

  • Adubação verde e enrelvamento (green manure ou cover crops);
  • Rotações e consociações (crop rotation), incluindo plantas melhoradoras de raiz profunda e/ou fixadoras de azoto;
  • Empalhamento do solo (mulching);
  • Compostagem com aproveitamento dos resíduos vegetais e animais como fertilizantes e mobilização mínima sem reviramento das camadas.

Estas práticas são as prioritárias.

A fertilidade do solo é maior quando o teor de matéria orgânica humificada (húmus) é mais alto, cerca de 5% para uma horta produtiva.

Esse húmus fornece e armazena nutrientes, água, alimentando a planta e muitos dos organismos do solo.

Com mais húmus é também mais fácil trabalhar a horta – semear, plantar, mondar – mesmo em tempo de chuva, pois a terra fica mais leve e menos encharcada.
 
No que diz respeito aos nutrientes o mais limitante do crescimento das plantas é o azoto, que não existe nos minerais do solo, mas existe em grande quantidade no ar (da atmosfera e do solo) mas em forma gasosa não assimilável por plantas ou animais.

Mas a natureza resolveu esse problema através de alguns micróbios do solo, que conseguem transformar azoto gasoso em azoto solúvel na água que pode ser absorvido pelas plantas.

Alguns desses micróbios fazem simbiose com algumas plantas, sendo a simbiose mais importante a que junta bactérias do género Rhyzobium com plantas leguminosas (agora classificadas como fabáceas).

Uma das plantas em que a fixação biológica do azoto é mais eficiente é a fava (Vicia faba). Para além de ser utilizada na alimentação humana e animal, é também das mais usadas como adubo verde.

A cultura das leguminosas pratica-se pelo menos desde a antiguidade egípcia e desde então se reconhece que estas plantas melhoram o solo. O grego Teofrasto escreveu que as leguminosas tinham "um carácter regenerador do solo mesmo semeadas bastas e produzindo muito fruto”.
 
Mas só em 1886 Hellriegel e Wilfarth demonstraram que as leguminosas noduladas fixam azoto, ou melhor que as bactérias rizóbio presentes no interior dos nódulos transformam azoto gasoso em amónio (N2 + 3H2 – 2NH3).

As leguminosas são fundamentais numa horta biológica e permitem uma eco-intensificação da produção. Podem ser utilizadas como adubo verde para a cultura seguinte, como cultura intercalar em rotação ou consociação, para alimentação humana como fonte proteica.