A adubação da alface e a acumulação de nitratos – produção biológica e convencional

Alimentação Saiba mais sobre a adubação química e orgânica no teor de nitratos na alface e as diferenças entre eles.
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Este trabalho, do projeto AGRO DE&D nº 7, teve como objetivo avaliar a influência da adubação química ou orgânica no teor de nitratos na alface.

Os ensaios com alface da variedade Angie, em estufa, no período de Janeiro a Março, foram realizados na Estação de Horticultura da Gafanha da Nazaré, ao longo de três anos.

Na modalidade de agricultura convencional foi utilizado um adubo mineral azotado e nas modalidades de agricultura biológica, três fertilizantes orgânicos. Aplicaram-se cinco níveis de azoto: 0; 55; 110; 165 e 220kg/ha.

De um modo geral as modalidades de adubação orgânica apresentaram teores de nitratos inferiores aos resultantes da adubação mineral.

Resultados

Com a adubação orgânica, compatível com a agricultura biológica, os teores de nitratos foram muito mais baixos. No entanto não se ultrapassou o limite máximo legal para alface, mesmo na modalidade de maior adubação azotada convencional (mineral de síntese química).

Avaliou-se o teor de nitratos da alface em amostras recolhidas.

Já nos mercados regionais da Beira Litoral (Aveiro, Coimbra e Leiria) em Dezembro, Janeiro e Março, onde se recolheram amostras para análise e comparação com os ensaios,  as alfaces recolhidas continham nitratos a níveis próximos do limite legal e muito acima das alfaces dos ensaios, o que faz supor que os agricultores terão aplicado doses de azoto substancialmente superiores a 220Kg/ha.

Os teores de nitratos analisados nas diferentes modalidades de alface de Janeiro a Março, ensaiadas na Gafanha da Nazaré, em 2002, 2003 e 2004.

O valor máximo admissível (VMA) para alfaces colhidas entre 01/10 e 31/03 é de 4500mg/kg de alface (Regulamento CE n.º 563/2002).

Os valores analisados foram sempre inferiores ao VMA.

Quadro 1 a) b) e c) e Figuras 1 a) b) e c): Produção de alface (t/ha) e teor de nitratos (mg/kg m.v.) em alface no período de Janeiro a Março, em três anos consecutivos (2002 a 2004) na Gafanha da Nazaré em modalidades de fertilização mineral (convencional), e orgânica biológica (O1 e O2).

Na adubação mineral o efeito da aplicação de azoto elevou significativamente as produções da alface, pelo facto do solo ter um teor de matéria orgânica e de azoto total baixos.

A resposta à fertilização orgânica é mais lenta e em menor escala, verificando-se um aumento da produção com a dose de azoto, mas inferior ao aumento provocado pela adubação mineral.

Na alface, com adubação orgânica o teor de nitratos é em geral inferior às de adubação mineral, para iguais doses de N total.

Nitratos nos mercados

Em paralelo aos ensaios de adubação azotada até agora descritos, foram analisadas amostras de alfaces, couves tronchudas e grelos de nabo, dos mercados de Aveiro, Coimbra e Leiria. As análises foram realizadas ao longo dos 3 anos de ensaio.

As análises de nitratos efetuadas às alfaces à venda nos mercados mostram teores  pontualmente elevados, tendo-se ultrapassado o VMA num dos mercados no mês de Dezembro, e ultrapassado o valor máximo recomendado (VMR) na maioria dos casos.

As análises de nitratos efetuadas nas alfaces recolhidas nos mercados revelaram níveis de nitratos (NO3) superiores aos teores máximos recomendados de 2500mg/kg em Dezembro e Janeiro nas três zonas.

Em Março os teores de nitratos (NO3-) não atingiram aquele valor, com exceção do mercado de Coimbra.